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O longo ano de 2022 do biodiesel


BiodieselBR.com - 20 dez 2022 - 17:52

O ano de 2022 começou bem antes de 01 de janeiro. Ao menos para o setor de biodiesel. Pode ser ele que tenha começado em 29 de novembro de 2021 quando o governo federal deixou claro que não tinha o menor interesse em normalizar a mistura obrigatória e as usinas – que já contavam os dias para o B14 – teriam que sobreviver a um ano inteirinho de B10. Ou pode ser que o setor tenha sido empurrado na direção de 2022 quando foram cravados os últimos pregos no caixão do familiar sistema de leilões públicos, disparando a corrida para tentar desarmar uma bomba tributária que estava se formando.

Apesar da correria, quando o novo ano de fato começou, o setor estava pronto para fazer a transição. E o novo modelo de comercialização de biodiesel entrou em vigor com alguns deslizes, mas sem maiores problemas.

E quando as coisas iam se encaminhando para uma relativa ‘normalidade’ com o setor tentando convencer o Planalto que a redução da mistura fazia mais mal do que bem à economia brasileira e o Planalto – absorto na malograda tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro – tomando suas decisões com base em quantos centavos os preços dos combustíveis poderiam subir ou cair; o mundo foi surpreendido pela invasão da Ucrânia por tropas da Rússia.

A guerra disparou ondas de choque para todos os lados, desorganizando várias cadeias da economia. Como resultado houve altas substanciais tanto nas cotações do petróleo quanto nas de óleos vegetais.

Isso fez com que os preços dos derivados escalassem no mercado nacional atingindo níveis inéditos e alimentando o risco de uma paralização de caminhoneiros.

Espremido entre uma conjuntura internacional que puxava os preços para cima e uma conjuntura interna que estava disposta a cortar uma cabeça depois da outra para segurar os preços baixos, a cadeia nacional de combustíveis chegou a temer que o país passasse por uma crise de desabastecimento de diesel que acabaria não se confirmando.

RenovaBio

Também foi a preocupação com os preços que levou o governo federal intervir no RenovaBio depois que os preços dos CBios chegaram a beirar os R$ 200,00.

Em julho, o MME anunciou a decisão de adiar o cumprimento das metas do programa para setembro de 2023 e, consequentemente, abatendo os preços dos títulos de descarbonização negociados na B3.

O governo tentaria ainda emplacar uma série de mudanças na estruturação do RenovaBio por meio de medida provisória. A sugestão de mais intervenções no programa desagradou os fabricantes que conseguiram, ao menos por enquanto, bloqueá-las.

No escuro

O mercado também passou parte do ano operando às escuras depois que a ANP sofreu um ataque cibernético no começo de agosto.

Embora garanta que o ataque não foi bem-sucedido, a agência tirou todos os seus sistemas eletrônicos do ar e se viu obrigada a abrir mão de acompanhar efetivamente o mercado de biodiesel e, até agora, não normalizou completamente a situação.

Até a data de fechamento deste texto, por exemplo, os números sobre a contratação de biodiesel no 5º bimestre não tinham sido publicados.

Disputado

Mesmo com toda a turbulência no mercado da mistura obrigatória que levou a produção a encolhesse cerca de 12,1% ao longo da primeira metade deste ano, o setor continuou sendo disputado.

E não apenas por players já estabelecidos como a Oleoplan que, em março, se tornou o maior produtor de biodiesel em capacidade instalada.

Mas também por outros players.

É o caso da Petrobras que vem se movendo para tomar um naco da demanda de biodiesel. A petroleira não apenas tem planos de instalar uma biorrefinaria dedicada, como ainda quer passar a ofertar o diesel RX que já sai das refinarias com uma parcela renovável.

Tudo somado, a maior empresa do país tem planos para instalar 1,3 milhão de m³ em capacidade produtiva para disputar um mercado que – neste momento – está superlotado.

E da BBF que também se prepara para instalar uma biorrefinaria em Manaus (AM).

Isso sem contar a questão abertura do mercado para as importações de biodiesel que deve acontecer na virada do ano e colocar ainda mais pressão sobre a indústria nacional.

Pleito

Foi com esse pano de fundo que o setor de biodiesel – e o Brasil como um todo – viu se aproximar o pleito presidencial de 2022. Desde o começo, a disputa se polarizou entre Bolsonaro e Lula e, apesar do favoritismo do petista nas pesquisas eleitorais, o resultado final ficou bastante apertado, com o ex-presidente vencendo as eleições por menos de dois pontos percentuais.

Para o bem ou para o mau, o Brasil terá um novo governo a partir de 01 de janeiro de 2023. Lula fez seguidos acenos na direção de tornar as pautas ambientais um ponto central de seu terceiro mandato, o que animou o setor de biodiesel.

Mas isso não significa que a relação entre o Palácio do Planalto e o setor de biodiesel já tenha mudado. Quase ao apagar das luzes, o atual governo prorrogou por mais três meses a vigência do B10 sem que, até agora, a medida fosse revista pelo governo de transição.

É, pelo jeito, o setor de biodiesel ainda terá mais alguns meses de 2022 pela frente...

Seja da forma que for, a equipe de BiodieselBR.com fará tudo ao seu alcance para se manter a par dos acontecimentos e realizar sua missão de levar ao setor de biodiesel as informações, dados e análises dos quais ele necessita para poder se orientar da melhor forma possível num mundo dinâmico e, muitas vezes, surpreendente.

Nos próximos dias o portal BiodieselBR.com entrará em seu recesso de final de ano retomando a cobertura do setor no próximo dia 09 de janeiro.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com