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Glicerina

MIT premia projeto brasileiro de aproveitamento da glicerina


BiodieselBR.com - 04 mai 2012 - 10:18
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Um plano de negócios baseado numa tecnologia que aproveita a glicerina produzida pelas usinas de biodiesel garantiu para uma equipe de jovens pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) uma vaga na segunda fase da maior competição de startups do mundo – o MassChalange. A equipe foi batizada de Bio-fiend.

O grupo embarca na semana que vem para os Estados Unidos onde, entre os dias 10 e 11 de maio, enfrentarão outros 200 competidores por uma das vagas na próxima rodada do desafio.

Realizada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), a iniciativa tem como objetivo catalisar o desenvolvimento de novos negócios promissores. A cada ano milhares de equipes se inscrevem na disputa – em 2012 foram mais de 1.200 –, mas apenas algumas delas chegam à segunda etapa. No final, apenas 100 serão selecionadas para uma temporada de quatro meses em Boston, durante os quais cada grupo será orientado por especialistas que os ajudarão a refinar seus planos de negócios e terão apoio para encontrar investidores. “A média de investimentos para empresa incubada nesse projeto é de US$ 1,5 milhão”, conta o Aluir Dias que é doutorando do Departamento de Química da UFMG e participante da equipe com destino aos Estados Unidos. De quebra, os projetos que mais se destacarem ainda dividem um prêmio de US$ 1,1 milhão.

O projeto mineiro se baseia numa tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Grupo de Tecnologias Ambientais da UFMG, batizada de Fragdust. Segundo Aluir, trata-se de um processo que permite a polimerização da glicerina que pode ser, então, aproveitada como um supressor de poeira nas atividades de transporte ferroviário do minério de ferro. “Fatores como o vento, a chuva e a trepidação do percurso provoca uma perda de carga durante o transporte do minério. Além de um problema financeiro evidente para as mineradoras, isso também causa poluição e um aumento dos problemas respiratórios entre as comunidades que vivem no entorno das ferrovias”, explica Aluir.

Os supressores de poeira servem justamente para diminuir esses problemas. Eles são líquidos que podem ser aspergidos sobre o minério para deixá-lo mais úmido e evitar que ele se espalhe. Acontece que os produtos usados hoje em dia são derivados do petróleo e não tem uma eficiência muito boa. É onde entra o projeto da Bio-fiend para o Fragdust. Além do apelo ambientalmente correto por vir de uma fonte renovável, o produto também se mostrou mais eficiente que as alternativas convencionais a um custo competitivo. “Conseguimos resultados muito bons no escalonamento industrial e temos um produto de real valor para lançar no mercado”, explica o – também – integrante do grupo e doutorando da UFMG, Jamerson Matos.

Segundo Aluir, a glicerina que sai das usinas de biodiesel pode ser usada sem qualquer tratamento adicional – testes de toxidade indicam que fragdust é menos perigoso que um detergente doméstico. Embora reconheça que essa não é a solução definitiva para o problema da destinação correta desse coproduto do biodiesel, o pesquisador empolga-se ao dizer que, se todas as mineradoras brasileiras passassem a usar o produto, seria possível tirar uma “boa parcela da glicerina”.

Por ser um dos maiores produtores de minério de ferro do planeta e contar com uma grande indústria de biodiesel, o Brasil seria o mercado mais promissor para essa nova tecnologia. Aluir, contudo, diz que o grupo também está de olho em oportunidades nos mercados europeu, asiático e australiano. O caminho a seguir vai depender de como eles se saírem no MassChalenge. “Dependendo de quem forem os investidores que encontrarmos”, diz.

No final de março passado esse mesmo grupo da UFMG foi o ganhador da edição 2012 de uma outra competição mundial de planos de negócios – o Global Startup Workshop (GSW) que foi realizado este ano na cidade turca de Istambul.

Eles também foram convidados a participar da Venture Lab Investment Competition 2012 que acontece durante o mês de maio no Texas.

Carla Leite, Aluir Dias, Pedro Vidigal, Jamerson Santos e Fernanda Vidal no GSW-MIT em Istambul, Turquia.
 
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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