Em leilão que desafiou a lógica, distribuidoras esgotam as ofertas das usinas e pagam preço recorde no biodiesel
Dessa vez não é mera força de expressão: as distribuidoras de fato compraram até a última gota do biodiesel que havia sido colocado à venda pelas usinas no L75. Até agora o mais perto que o mercado havia chegado disso tinha sido no Leilão 68 quando um pouco menos 2,5 milhões de litros de biodiesel ficaram por ser vendidos. Este foi, sob qualquer ângulo, um leilão bastante dramático.
A começar pela oferta insuficiente de biodiesel feita pelas usinas. Na Etapa 2 foram colocados à venda 1.189 mil m³ para atender ao mercado da mistura obrigatória no quinto bimestre. Este volume seria suficiente para garantir a venda de pouco menos de 9,91 bilhões de litros de B12, consideravelmente abaixo das estimativas de BiodieselBR.com que iam de 10,4 até 11,2 bilhões de litros de diesel.
O resultado foi uma Etapa 3 bastante atribulada na qual as distribuidoras compraram tudo o que poderiam e continuaram num cabo de guerra que fez os preços médios chegarem a inéditos R$ 4.622,94 por metro cúbico. A falta de produto era tão patente que o ministro Bento Albuquerque em pessoa anunciou a redução da mistura obrigatória de B12 para B10 no mesmo dia em que a ANP comunicou que cancelaria toda a Etapa 3.
O anúncio desagradou os fabricantes de biodiesel que partiram para a briga na Justiça. O leilão só foi retomado na quinta-feira passada (20).
Dessa vez não é mera força de expressão: as distribuidoras de fato compraram até a última gota do biodiesel que havia sido colocado à venda pelas usinas no L75. Até agora o mais perto que o mercado havia chegado disso tinha sido no Leilão 68 quando um pouco menos 2,5 milhões de litros de biodiesel ficaram por ser vendidos. Este foi, sob qualquer ângulo, um leilão bastante dramático.
A começar pela oferta insuficiente de biodiesel feita pelas usinas. Na Etapa 2 foram colocados à venda 1.189 mil m³ para atender ao mercado da mistura obrigatória no quinto bimestre. Este volume seria suficiente para garantir a venda de pouco menos de 9,91 bilhões de litros de B12, consideravelmente abaixo das estimativas de BiodieselBR.com que iam de 10,4 até 11,2 bilhões de litros de diesel.
O resultado foi uma Etapa 3 bastante atribulada na qual as distribuidoras compraram tudo o que poderiam e continuaram num cabo de guerra que fez os preços médios chegarem a inéditos R$ 4.622,94 por metro cúbico. A falta de produto era tão patente que o ministro Bento Albuquerque em pessoa anunciou a redução da mistura obrigatória de B12 para B10 no mesmo dia em que a ANP comunicou que cancelaria toda a Etapa 3.
O anúncio desagradou os fabricantes de biodiesel que partiram para a briga na Justiça. O leilão só foi retomado na quinta-feira passada (20).
Pior que o soneto
A lógica mais elementar indicava que, com uma mistura menor, a demanda das distribuidoras cairia e, consequentemente, os preços do biodiesel na nova Etapa 3 ficariam menores do que os apurados na primeira. Mas não foi isso o que se viu. As distribuidoras não só compraram tudo o que podiam com, ainda, repetiram o mesmo cabo de guerra de antes durante seis longos dias. Elas só pararam de recomprar biodiesel umas das outras depois que ANP interveio e decidiu encerrar a disputa na marra.
No fim das contas a emenda saiu pior que o soneto e a nova Etapa 3 teve um preço do biodiesel ficou ainda mais alto do que da primeira vez. Os 1.166,4 mil m³ de biodiesel foram comprados, em média, por R$ 5.047,25 gerando R$ 5,89 bilhões.
Etapa 5
Mas esse ainda não era o fim. Faltavam os 22,6 mil m³ das usinas que não têm Selo Combustível Social e que, portanto, só poderiam vender se produto na Etapa 5.
As compras foram reabertas às 14h30; às 15h10 todo o volume de biodiesel da Etapa 5 já tinha se esgotado. E foram ainda mais uma hora e meia de recompras agressivas nas quais as distribuidoras aceitaram pagar valores impressionantes. O preço médio do biodiesel da Etapa 5 ficou em R$ 6.121,91 com a Caibiense recebendo impressionantes R$ 6.432.07 por seu produto.
Com isso, o preço médio final do produto negociado no L75 subiu outros R$ 20 atingindo a marca absolutamente inédita de R$ 5.067,67.
Esse é um preço que deixou até mesmo os R$ 4.603,04pago no L73C comendo poeira.
Com esse volume e valor, L75 foi o primeiro leilão de biodiesel onde a movimentação financeira total superou a marca de R$ 6 bilhões – R$ 5,99 bilhões para as usinas e mais R$ 29,7 milhões em taxas cobradas pela Petrobras. O recorde anterior era do Leilão 73 quando mais de R$ 4,20 bilhões trocaram de mãos.
Em tese, o L75 ainda não terminou. Amanhã deveria acontecer o pregão voltado ao abastecimento do mercado autorizativo. Mas, sem nenhum biodiesel para ser comprado, a etapa foi cancelada. Já foi, contudo, convocada uma rodada complementar que ainda não teve sua data anunciada.
Presumivelmente, ela vai negociar volumes de biodiesel adicionais para o mês de outubro.
Não está claro porque as distribuidoras compraram esse volume todo. Se for integralmente retirado, o biodiesel que foi arrematado no L75 é suficiente para garantir quase 11,9 bilhões de litros de B10. Uma demanda dessas representaria um salto de 15,4% sobre o volume de diesel que comercializado pelas distribuidoras no quinto bimestre do ano passado.
É nível de crescimento para esse período que nunca foi registrado nas duas décadas de histórico de mercado mantido pela ANP.
Destaques
– As distribuidoras simplesmente esgotaram tudo o que foi ofertado pelas usinas arrematando 1.189 milhares de m³;
– Foram 1.166,4 mil m³ na Etapa 3 e mais 22,6 mil m³ na Etapa 5;
– Todas as 42 usinas que ofertaram biodiesel na Etapa 2 liquidaram suas ofertas;
– Destas 13 se comprometeram com 100% de suas capacidades produtivas;
– Em média, as distribuidoras vão pagar R$ 5.067,67 por cada metro cúbico de biodiesel arrematado, este é – de longe – o maior valor médio já registrado;
– Com base no resultado de hoje, o L75 deverá movimente R$ 5,99 bilhões;
– As usinas de Marialva e Passo Fundo, ambas da BSBios, dividem o primeiro lugar em vendas com 69 mil m³ cada uma;
– Essa combinação rendeu ao Grupo BSBios o posto de líder do setor com 138 mil m³ vendidos pelo preço médio de R$ 4.975,14 gerando renda de R$ 686,5 milhões;
– O biodiesel mais caro da rodada foi da Caibiense que vai receber R$ 6.432,07 por cada m³ vendido, a empresa vai ganhar R$ 38,6 milhões;
– No extremo oposto do espectro está a Granol de Cachoeira do Sul com R$ 4.895,03 por cada um dos 3000 m³ vendidos;
– O Rio Grande do Sul foi o estado que mais vendeu com 334 milhões de litros;
O resultado completo do L75 pode ser conferido clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com