Distribuição

IBP defende preços livres para os combustíveis no Brasil


Valor Econômico - 20 out 2021 - 11:07

Em meio à pressão de caminhoneiros que prometem greve contra a alta do diesel e após o presidente Jair Bolsonaro declarar que vai que atacar os reajustes do combustível, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) defendeu ontem a liberdade de preços dos combustíveis no país. O argumento é que essa é a forma de promover competição, atração de investimentos e garantir o abastecimento nacional no curto e longo prazos.

Segundo o IBP, a precificação dos combustíveis no Brasil “deve ocorrer segundo premissas claras de mercado, evitando-se mecanismos conjunturais que causem distorções e desequilíbrios que comprometem o abastecimento e a continuidade de investimentos”.

O instituto defende que o alinhamento de preços ao mercado internacional é uma “abordagem necessária” para garantir o abastecimento “aos menores custos para a população”.

O posicionamento da entidade se dá em meio a declarações do presidente Jair Bolsonaro de que, nesta semana, resolverá “a questão do preço do diesel”. Três entidades de trabalhadores do transporte de cargas anunciaram que farão greve nacional a partir de 1º de novembro se o governo não atender suas reivindicações. Os caminhoneiros pedem mudanças na política de preços da Petrobras, alinhada ao mercado internacional.

O IBP destaca que o consumo de combustíveis tem crescido ao longo de 2021 e já alcança patamares pré-pandemia. Como a capacidade de refino é inferior à demanda, o país depende das importações. Esse quadro, segundo a entidade, não deve se alterar na próxima década. De janeiro a agosto de 2021, 26% do volume de diesel e 8% da gasolina foram adquiridos no mercado externo.

“Sem a percepção clara por parte dos agentes econômicos de que os preços variarão segundo regras de mercado, como ocorre com todas as demais commodities, não há segurança para a ampliação do parque de refino nacional, para a ampliação da produção de biocombustíveis ou ainda para que agentes importadores complementem o déficit interno de derivados, especialmente considerando o atual cenário mundial de defasagem conjuntural entre oferta e demanda de commodities devido à rápida e significativa recuperação pós-pandemia”, comentou o IBP, em nota.

O instituto afirmou ainda que o alinhamento de preços ao mercado internacional, adotado no Brasil desde 2016, dá a sinalização correta aos agentes econômicos para atrair investimentos no aumento da oferta e no aprimoramento da logística de distribuição.

André Ramalho – Valor Econômico