Entidade que representa empresas de distribuição regionais está preocupada que o mercado de biodiesel passe a ser alvo de fraudes
Embora, hoje em dia, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom) possa ser contada entre os apoiadores do fim dos leilões públicos de biodiesel – revisando um posicionamento que manteve durante muitos anos –, a entidade está “preocupada” com a transição para o novo modelo de comercialização.
A entidade que representa 46 distribuidoras de porte regional espalhadas por todo o país, considera que a forma como a transição vem sendo gerida pelo governo federal deixa o mercado de biodiesel exposto a problemas similares aos que hoje acontecem no mercado de etanol. “Nos preocupa sobremaneira a (...) possibilidade de surgirem empresários que, à semelhança do que acontece principalmente no mercado do etanol, se aproveitem do momento para efetuarem transações sem o cumprimento de todas as obrigações e, com isto, trazer para o mercado de biodiesel a concorrência desleal e a sonegação/inadimplência”, disse o diretor institucional da Brasilcom, Sérgio Massillon, em entrevista concedida à BiodieselBR.com por e-mail.
Embora, hoje em dia, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom) possa ser contada entre os apoiadores do fim dos leilões públicos de biodiesel – revisando um posicionamento que manteve durante muitos anos –, a entidade está “preocupada” com a transição para o novo modelo de comercialização.
A entidade que representa 46 distribuidoras de porte regional espalhadas por todo o país, considera que a forma como a transição vem sendo gerida pelo governo federal deixa o mercado de biodiesel exposto a problemas similares aos que hoje acontecem no mercado de etanol. “Nos preocupa sobremaneira a (...) possibilidade de surgirem empresários que, à semelhança do que acontece principalmente no mercado do etanol, se aproveitem do momento para efetuarem transações sem o cumprimento de todas as obrigações e, com isto, trazer para o mercado de biodiesel a concorrência desleal e a sonegação/inadimplência”, disse o diretor institucional da Brasilcom, Sérgio Massillon, em entrevista concedida à BiodieselBR.com por e-mail.
Segundo o dirigente, a entidade chegou a propor que a mudança não acontecesse de uma só vez como quer o governo, mas fosse implementada em etapas ao longo do próximo ano. “Com a publicação da Resolução ANP 857/2021 observamos que essa sugestão não foi acatada”, reclama Sérgio.
Publicada nesta última sexta-feira (29), a resolução da ANP que regulamenta o novo modelo de comercialização manteve a decisão de completar a mudança já na virada do ano. Isso obriga as distribuidoras a contratarem todo o biodiesel que vão precisar no primeiro bimestre de 2022 ao longo das próximas semanas. No ano passado, as entregas de biodiesel nos meses de janeiro e fevereiro beiraram 1,09 milhão de m³.
Segundo Sérgio, no entanto, a movimentação para garantir a aquisição dos volumes necessários ainda não começou. “Até o momento não recebemos informações firmes de nossas Associadas sobre negociações de compra e venda de biodiesel”, diz.
Mistura
Falta, inclusive, uma orientação mais firme sobre o patamar de mistura que deverá ser adotado pelas distribuidoras no período. Oficialmente, o país deveria estar usando B13 desde março passado; contudo, por determinação do governo, a mistura permaneceu abaixo do nível legal ao longo dos últimos quatro bimestres. No momento, a mistura está em 10%.
A Brasilcom defende que o B10 seja mantido no próximo bimestre. “Em nosso entender, e dos diversos agentes de mercado e entidades de classe dos fabricantes de veículos, de máquinas e dos transportadores, o percentual de mistura biodiesel de transesterificação com o diesel A com não pode exceder os 10% estabelecidos no último leilão”, diz acrescentando que os distribuidores esperaram que a ANP finalize o processo de revisão das especificações do biodiesel e que sejam realizados novos testes de bancada que atestem a segurança de misturas maiores.
Além da redução da mistura, a Brasilcom também cobra a o governo passe a admitir o uso de biocombustíveis diferentes do biodiesel para a mistura obrigatória. “Nossa opinião (...) é que o mercado brasileiro deve, o quanto antes, abrir-se para a entrada de novas tecnologias como o [óleo vegetal hidrotratado] e o diesel pré-misturado da Petrobras”, completa Sérgio acrescentando que isso garantiria um mercado mais competitivo.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com