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Indústria quer adiar por 3 anos caminhões Euro 6 no Brasil


Automotive Business - 01 jul 2020 - 11:01

Os fabricantes de veículos representados pela Anfavea querem adiar por três anos a próxima fase da legislação brasileira de emissões para veículos pesados a diesel, o Proconve P8, agendado para 2023, que exigiria a adaptação para caminhões e ônibus no Brasil da tecnologia de tratamento Euro 6, já adotada há dois anos na Europa. Já era de conhecimento público que a indústria iria pedir o adiamento ao governo, devido à crise trazida pela pandemia de coronavírus que encurtou recursos e tempo para desenvolver a solução no País.

Não se sabia, contudo, por quanto tempo seria essa postergação, que foi revelada por Vilmar Fistarol, presidente do grupo CNH Industrial na América Latina, em mais uma seção da série de entrevistas Lives #ABX20 promovida por Automotive Business na terça-feira (30).

Após a entrada em vigor do Proconve P7 em 2012, com implantação de tecnologia Euro 5 em veículos a diesel, houve um vácuo legislativo de quase sete anos até que fosse desenhada e programada a oitava fase do programa brasileiro de emissões veiculares. Somente em novembro de 2018 o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou os limites e regras do P8, que foi negociado com a indústria para vigorar a partir de janeiro de 2023, mas os novos projetos de caminhões ou ônibus têm obrigação de seguir a legislação um ano antes, em janeiro de 2022.

“Esperamos que o governo tenha sensibilidade de atender o pedido de adiamento. Lançar veículos Euro 6 no momento errado será muito problemático, não só por falta de recursos [para desenvolver a tecnologia no Brasil], mas porque isso tornará os veículos muito mais caros e impactar negativamente o mercado”, disse Vilmar Fistarol.

Na entrevista, o executivo avalia que até existe tempo suficiente para adotar motores Euro 6 no País até 2022/2023, mas os investimentos exigidos para isso, calculados em R$ 14 bilhões, deveriam neste momento ser melhor aplicados no esforço que a indústria precisa fazer para atravessar o momento de recessão econômica e voltar ao caminho do crescimento.

“Esses recursos poderiam ir para outras atividades. Ninguém é contra a redução de emissões, mas é necessário adiar [o Proconve P8] por três anos para acomodar esses custos. Seria mais inteligente no momento a adoção de um plano de reciclagem e renovação da frota, com a substituição de caminhões velhos, que trazem muitos problemas de acidentes e poluição, por veículos Euro 5”, defende Fistarol.

Procurada para confirmar se de fato encaminha aos órgãos públicos de controle o pedido de adiamento de três anos do Proconve P8, a Anfavea confirmou que negocia alternativas com o governo, mas que não comentaria prazos.

A entidade enviou o seguinte posicionamento oficial: “A Anfavea entende que, em função do impacto da pandemia nos processos de desenvolvimento e na capacidade de investir, será necessário avaliar uma adequação da vigência das legislações, caso a caso. O fechamento das fábricas interrompeu os trabalhos de desenvolvimento e os testes em laboratório ou de rodagem, e o retorno parcial também provoca atrasos. Além disso, todos os fabricantes passam por um momento de queda abrupta de receita, sem possibilidade de contar com as matrizes, que também sofrem os efeitos da pandemia”.

Pedro Kutney – Automotive Business