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Eletrificação liderará próxima fase da transição energética, afirma Irena


ClimaInfo - 21 mai 2026 - 11:26

O aumento das tensões geopolíticas, a demanda crescente de energia e a volatilidade cada vez maior do mercado de combustíveis fósseis estão remodelando o cenário energético global. Por isso, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), o mundo está entrando em uma nova fase da transição energética, centrada na eletrificação, nas energias renováveis e na aceleração da substituição de petróleo, gás fóssil e carvão.

A análise integra o relatório “Transição para longe dos combustíveis fósseis: um roteiro baseado em energias renováveis, eletrificação e aprimoramento da rede elétrica”, divulgado em colaboração com a presidência brasileira da COP30. O documento reforça que, além das preocupações atuais com a segurança energética, os sistemas energéticos vigentes permanecem estruturalmente despreparados para atingir a meta climática de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, estabelecida no Acordo de Paris, em 2015.

Embora as metas globais de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar as melhorias na eficiência energética até 2030 continuem sendo essenciais, elas não são suficientes por si só para alcançar a transição energética global, destaca o relatório. Com o rápido aumento da demanda nos setores de transporte, indústria, construção civil e digitalização, a transição deve agora se concentrar na eletrificação desses setores de uso final, ao mesmo tempo em que se abandona o uso de combustíveis fósseis.

Os países devem investir simultaneamente em redes elétricas, armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir sistemas de eletricidade confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente demanda, avalia a Irena. No entanto, a infraestrutura tornou-se um gargalo crítico: cerca de 2.500 gigawatts de energia eólica e solar estão aguardando conexão às redes.

As atualizações previstas para 2035 e 2050 não serão alcançadas sem que processos de licenciamento sejam agilizados e sem o aumento significativo dos investimentos. A Irena estima que as necessidades de investimento em redes elétricas sejam de US$ 1,2 trilhão por ano, em média – mais que o dobro dos US$ 0,5 trilhão investidos em 2025.

A Irena e os governos da Turquia e da Austrália, futuros anfitriões da COP31, apelaram para um esforço global maior para que veículos, indústrias e edifícios funcionem com eletricidade em vez de combustíveis fósseis, antes das negociações climáticas da conferência do clima deste ano, em novembro, destaca o Climate Home. Para o presidente-designado da COP31, Murat Kurum, os governos deveriam descarbonizar a geração elétrica, mas também expandir a eletrificação para todas as esferas da vida.

“O mundo precisa se adaptar a uma nova realidade energética. Além das metas de triplicar as energias renováveis e dobrar a eficiência energética (até 2030), existe o desafio maior de transformar sistemas energéticos inteiros e reduzir o uso de combustíveis fósseis em toda a oferta e demanda. A eletrificação e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis são inseparáveis e devem avançar juntas”, reforçou o diretor-geral da Irena, Francisco La Camera.