Soja

Soja atinge valores nominais recordes


Agrolink - 05 mai 2020 - 10:52

Os preços da soja no Brasil atingiram valores nominais recordes essa semana na esteira da forte desvalorização cambial e também do elevado ritmo de exportação. O indicador Cepea para Paranaguá, por exemplo, chegou a ser cotado próximo a R$ 110/sc.

De acordo com a análise do Itaú Radar Agro, do mesmo modo, as cotações futuras para a safra 20/21 convertidas em moeda local também se apreciaram, com fixações para a região de Sorriso rodando na casa dos R$ 85/saca. Esses são patamares que não devem passar despercebidos pelos produtores diante dos riscos para as cotações na próxima safra.

Do lado fundamental, por mais que tenhamos uma revisão para baixo da produção na Argentina e no Brasil diante das perdas no RS, os estoques finais da safra 19/20 ainda devem ser elevados do ponto de vista histórico. Além disso, devemos observar um grande aumento de área nos Estados Unidos, em parte como recuperação do que foi deixado de ser plantado no ano passado por problemas climáticos e, também, pela redução da atratividade do milho.

Esse cenário somado a uma normalidade da próxima safra na América do Sul deve deixar o balanço em níveis confortáveis mesmo assumindo que o consumo global seguirá crescendo. Isso tende a reduzir o espaço para grandes altas das cotações em Chicago mesmo assumindo aumento das exportações dos Estados Unidos.

No tocante ao prêmio nos portos, que ao longo de 2020 tem oscilado acima das médias históricas, é possível que tenhamos alguma redução no próximo ano. Isso porque parte da demanda chinesa na próxima safra deverá ser suprida pela soja americana frente à assinatura da fase 1 do acordo (já há sinalizações disso). Adicionalmente, não podemos desconsiderar os reflexos negativos que a recessão econômica poderá ter sobre a taxa de crescimento da demanda interna por óleo e farelo de soja, que é
influenciado pelo consumo de alimentos fora de casa e demanda de biodiesel, no caso do primeiro, e pelo aumento da produção de proteína animal, no segundo.

Com isso, a “briga” pela disponibilidade da soja nos portos pode ser inferior à observada esse ano, e, portanto, impactar negativamente o valor dos prêmios. De fato, a cotação do prêmio para março/21 vem perdendo força nas últimas semanas.

Por fim, há o risco de a taxa de câmbio voltar a se valorizar caso tenhamos uma redução das incertezas dos impactos da pandemia e, consequentemente, uma melhora da aversão ao risco de mercado. Como pode ser observado ao lado, tudo o mais constante, uma volta da taxa de câmbio para patamares pré covid-19 pode reduzir substancialmente o valor da saca de soja em R$.

Diante disso, é importante que o produtor fique atento às oportunidades de fixação de modo a minimizar os riscos de quedas de preços da commodity. É recomendável ter atenção também ao “casamento” de moedas, ou seja, fixações de preços em R$ devem fazer frente às despesas na mesma moeda com o objetivo de reduzir as incertezas do câmbio.

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