Supermercados da Europa publicam carta questionando fim de Moratória da Soja
Alguns dos maiores grupos de varejistas da Europa não estão nada contentes com o fim da Moratória da Soja – compromisso voluntário entre os grandes compradores de soja que buscava bloquear a comercialização de grãos produzidos em áreas abertas após 2008 no bioma amazônico. Na última semana, 14 redes de supermercados do continente publicaram uma carta aberta na qual afirmam que o fim do acordo coloca em risco a confiança dos consumidores.
Firmada em 2006 (ajustado de 2008), a Moratória impedia que o plantio de soja se tornasse mais um vetor de desmatamento. No entanto, a medida passou a receber crescente oposição de produtores de soja reunidos em torno da Aprosoja. Em 2024, produtores rurais apresentaram denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à Justiça, na qual alegavam que o acordo ambiental funcionava como um cartel de compras e demandavam uma indenização bilionária contra os signatários da medida.
Além disso, o governo mato-grossense comprou a posição dos produtores e, em 2024, aprovou uma lei que proibia a concessão de benefícios fiscais para empresas que participassem de acordos que impusessem restrições ambientais mais rígidas do que a legislação nacional à expansão de atividades agropecuárias. Relatório de auditores estaduais mostra que, de 2019 a 2024, as tradings receberam cerca de R$ 4,7 bilhões em incentivos do governo mato-grossense.