Produção de soja certificada bate recorde no mundo
Em 2025, a produção mundial de soja certificada pela Mesa Global da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) foi de 10,3 milhões de toneladas, superando as 6,8 milhões do ano imediatamente anterior. A RTRS é uma organização de origem suíça que fomenta a produção e comércio de soja responsável.
Essa foi a primeira vez que a produção de soja certificada ultrapassou a marca de 10 milhões de toneladas. Alvaro Queiroz, gerente de desenvolvimento de mercado Brasil da RTRS, disse ao Valor que o crescimento da demanda nos últimos três anos puxou o aumento da produção.
“O mercado está cada vez mais comprometido com questões relacionadas a sustentabilidade e rastreabilidade. Isso acontece não só na Europa, mas em outras regiões, que exigem não só um produto livre de desmatamento, mas também que atenda às leis trabalhistas e comprove que segue boas práticas de produção”, disse Queiroz.
A demanda pelo grão certificado pela RTRS cresceu 9,5% no ano passado, somando 8,1 milhões de toneladas. A Europa respondeu por 78% das compras, com destaque para países como Holanda e Dinamarca.
“A Europa sempre foi o principal comprador de soja certificada, mas também estamos vendo crescimento em outros mercados que são fortes na produção de salmão e camarões, como Chile e Equador, que vêm exigindo cada vez mais produtos para ração animal”, afirmou Queiroz. Segundo ele, o Sudeste Asiático ajudou a ampliar o alcance da soja certificada no mundo, principalmente a partir da procura de pequenos produtores na região.
Brasil na liderança
O Brasil, líder mundial na produção e exportação de soja, também é destaque no fornecimento de soja responsável. O país respondeu por 83% da produção global no ano passado. Atualmente, a RTRS reúne mais de 84 mil produtores rurais certificados de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Índia e Uganda.
Para Queiroz, a tendência é de que produtores mantenham o interesse em aumentar a produção certificada no Brasil, a despeito dos imbróglios em torno da Moratória da Soja. Firmada por grandes comercializadoras de grãos, sociedade civil e governo, a Moratória proíbe a compra de soja egressa de áreas desmatadas depois de julho de 2008, mas está suspensa desde janeiro, após determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O tema aguarda análise do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Apesar dessa questão envolvendo a Moratória, os compromissos de sustentabilidade continuam os mesmos. Quem certifica a soja está dizendo que esse é um produto livre de desmatamento. Portanto, não vejo necessariamente uma redução da demanda pelos nossos produtos”, disse Queiroz.
Ao falar de projeções para este ano, o representante da RTRS disse acreditar que a produção de soja certificada crescerá novamente, com potencial de avanço de 10%. Para o longo prazo, Queiroz avalia que o grande desafio do produto é criar percepção de valor entre os consumidores.
“Diferentemente de outros produtos, a soja integra uma cadeia muito longa. Ela atende muitos setores, como as indústrias de carnes e alimentícia, mas, no supermercado, o cliente não sabe que ali tem um item que foi produzido com soja responsável e não consegue ver valor na certificação”, afirmou ele.
Paulo Santos – Globo Rural{/viewonly}


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