Soja

Aumento da produção de biodiesel deve beneficiar produtores gaúchos


Zero Hora - 07 abr 2015 - 12:48
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A maior demanda por biodiesel no país deve ter impacto direto nas lavouras. Responsável por 75% da matéria-prima usada na produção do biocombustível no país, a soja deve ser ainda mais disputada no mercado. Além disso, o aquecimento do setor deve fomentar a canola, cultura ainda coadjuvante na produção do combustível.

No embalo da expectativa de colher uma supersafra de soja no Rio Grande do Sul – 14,8 milhões de toneladas, conforme a Emater –, o setor de biodiesel pretende se consolidar com uma boa alternativa ao agricultor. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS), Décio Lopes Teixeira, a vantagem do interesse da indústria de biodiesel é que o grão passará a ser mais concorrido. “Ter mais mercado é sempre bom para o produtor, que deve procurar o melhor preço. E a indústria de biodiesel pode nos oferecer vantagens como assistência técnica e logística”, diz.

Na visão de Teixeira, é importante que Brasil incentive o setor de biodiesel para que o país passe a exportar o grão com maior valor agregado. Hoje, o país processa só 16% da produção de soja nacional em farelo e óleo, segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). “Com o processamento da soja aqui, em farelo e óleo, os empregos e a riqueza ficarão no Estado. Outra vantagem é que terá mais oferta de farelo perto, o que favorecerá a criação de frangos, suínos e gado”, observa Alencar Rugeri, assistente técnico da Emater.

Rugeri explica que a indústria de biodiesel tem papel importante para desenvolver novas culturas no Estado, como a canola. Produzido no Sul e em Minas Gerais, o grão representa menos de 1% da matéria-prima, mas tem como trunfo o fato de ser plantado na entressafra de soja.

A projeção da Associação Brasileira de Produtores de Canola (Abrascanola) é de que a área cultivada cresça 30% e chegue a 65 mil hectares no país – 48 mil deles no Rio Grande do Sul, uma projeção 20% maior do que o plantado em 2014. “Com preço baseado na cotação da soja, a canola é ótima alternativa para a rotação de culturas no inverno. Estudos mostram que seu cultivo melhora a produtividade da soja e do trigo plantados depois nas mesmas áreas”, destaca o presidente da Abrascanola, Luiz Gustavo Floss.

30%

Do total que Leonardo Machado, 41 anos, colher nos 450 hectares de soja que plantou em Passo Fundo, 30% será destinado à indústria de biodiesel. A parceria foi firmada há sete anos. “A indústria oferece assistência técnica à lavoura, paga bom preço pelo grão e tem a vantagem logística. Costumo entregar no mínimo 20% da safra anualmente ao biodiesel”, explica Machado, que estima colher este ano média de 70 sacas por hectare, recorde de sua lavoura.

O restante da soja, conforme o produtor, será vendido a cooperativas e cerealistas. E a parceria de Machado com o biodiesel segue no inverno. Em 2014, ele destinou 135 hectares para a canola especialmente para a indústria. Neste ano, no entanto, planeja dividir a área entre trigo e aveia preta, em um sistema de rotação de culturas, para voltar à canola em 2016. “Apesar de ter alto risco alto por resistir menos ao clima, a canola compensa por ter o preço da soja e mercado garantido”, completa.


Fernanda da Costa – Zero Hora