Soja

Análise conjuntural da soja em 2011


CEPEA/ESALQ/USP - 07 fev 2012 - 11:42 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 00:22

O ano de 2011 foi marcado por incertezas no campo e também nos cenários político e econômico, que afetam diretamente o mercado de soja, tanto no setor alimentício quanto no de energia. No campo, inicialmente, o atraso no plantio da safra 2010/11 no Brasil e na Argentina levou a apreensões sobre a produtividade. Depois, ganharam destaque os receios sobre os impactos do clima sobre a safra americana. Quanto a questões políticas e econômicas, podem ser citadas as instabilidades no Oriente Médio e no norte da África no primeiro semestre e as da zona do euro no segundo semestre de 2011.

Inicialmente, agentes apostavam que a demanda por soja continuaria a dar o tom altista aos seus preços em 2011, que poderiam ser ainda mais impulsionados caso ocorressem problemas com a produção 2010/11 na América do Sul. Nesse sentido, nos primeiros meses do ano, as atenções estiveram voltadas ao desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina. Entretanto, com o passar dos meses, a Conab foi divulgando dados recordes para a área, produtividade e produção no Brasil. Na Argentina, no entanto, houve queda na produção em relação ao ano anterior.

A área cultivada com soja no Brasil foi de 24,18 milhões de hectares na temporada 2010/11, 3% maior que a da safra anterior, segundo a Conab. A produtividade estimada foi de 3.115 kg/ha, 6,4% acima, e a produção chegou a 75,32 milhões de toneladas, avanço de 9,7%.

Da produção total, a estimativa da Conab era que 33,6 milhões de toneladas seriam exportadas e 40,45 milhões de toneladas seriam esmagadas internamente. Desse processamento interno, seriam produzidas 28,45 milhões de toneladas de farelo de soja e 7,21 milhões de toneladas de óleo de soja. Mais da metade da produção de farelo deveria ser exportada, enquanto 76,4% da produção de óleo seria consumida internamente – todos os dados de produção, consumo interno e exportação (exceto de óleo) são recordes.

Registrando o efetivo das exportações brasileiras, a Secex apontou que, entre janeiro e dezembro de 2011, o Brasil exportou cerca de 33 milhões de toneladas de soja em grão, com crescimento de 13,8% em relação ao acumulado de 2010, sendo o maior volume exportado pelo País. De farelo de soja, em 2011, foram embarcadas 14,4 milhões de toneladas, quantidade 5% maior que a de 2010 e a maior desde 2005. Em relação aos embarques de óleo de soja, chegaram a 1,53 milhão de toneladas em 2011, volume 9,5% superior ao exportado em 2010.

Ainda no primeiro trimestre de 2011 (período de colheita), observaram-se recuos nos preços da soja, que foram influenciados por problemas logísticos para a chegada dos caminhões até o porto de Paranaguá (PR). Chuvas intensas destruíram pontes das principais rodovias de acesso ao porto. Em algumas semanas, até mesmo os desembarques de caminhões e embarques de navios foram dificultados pelas chuvas intensas. Com isso, agentes realçaram as preocupações com o espaço disponível nos armazéns em algumas regiões do interior e com o elevado custo do transporte até o porto.

As dificuldades de embarque da soja brasileira e a elevação das cotações na Bolsa de Chicago baixaram os prêmios de exportação, que voltaram a ser negativos no primeiro semestre de 2011, depois de terem se mantido positivos para o grão desde maio de 2008. Agentes também citaram o fato de os prêmios para o produto argentino terem se reduzido, distanciando-se dos valores observados no mercado brasileiro, o que vinha a ser fator negativo para o Brasil. Em meados de maio, no entanto, diante da maior demanda para exportação, os prêmios brasileiros voltaram a operar no positivo.

De modo geral, pode-se dizer que o mercado de soja, em 2011, passou por vários momentos de incertezas quanto à tendência dos preços. A dificuldade de se estimar o tamanho da nova safra, especialmente dos Estados Unidos, e as preocupações com a economia mundial, principalmente a européia, que influenciara a demanda agregada, mantiveram agentes em alerta por longos períodos.

Em setembro, as cotações de soja em grão e derivados passaram a refletir a instabilidade econômica mundial com maior intensidade. O resultado foram oscilações mais expressivas dos contratos futuros, no Brasil e em Chicago, que chegaram aos preços no físico nacional. Diante disso, as cotações em dólar nas bolsas e no físico brasileiro (Indicadores Cepea) chegaram aos menores níveis do ano. Já em Reais, nas praças brasileiras, a média mensal de setembro chegou a ser uma das maiores do ano – especialmente nos portos e nas regiões de Mato Grosso.

Próximo do encerramento do ano, informações levantadas pelo Cepea junto a seus colaboradores apontam que haveria apenas cerca de 5% da soja da temporada 2010/11 para ser comercializada. Os preços oferecidos por compradores e pedidos por vendedores, no entanto, permaneceram distantes, dificultando novos fechamentos.

Em relação aos valores futuros, entre 2010 e 2011, houve fortes quedas. Para o primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), os preços recuaram 14% em 2011 – até dia 28 de dezembro. Mesmo com a queda acumulada, na média do ano, os valores ficaram 25,7% maiores que em 2010.

Para o farelo de soja, o primeiro vencimento recuou 16,3% em 2011 na Bolsa de Chicago, mas teve média anual 14,3% maior que a de 2010. Para o óleo de soja, o primeiro vencimento acumulou perda de 10,3% se comparado ao último dia de 2010, mas também com alta, de 31,2%, sobre a média geral de 2010.

No físico brasileiro, a média ponderada das regiões paranaenses, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ, também recuou 4,6% ao longo de 2011, mas sua média anual foi 16,1% acima da de 2010. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (produto transferido para armazéns do porto de Paranaguá), em reais, teve ligeira baixa de 0,8% em 2011, com média anual 16,5% superior à de 2010. Em dólar, as variações são, respectivamente, de -11,9% e de +22,6%.

Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ/USP
Via Boletim Mensal Dos Combustíveis Renováveis do MME

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