Matérias-primas alternativas

Embrapa Agroenergia analisa potencial de espécies nativas


BiodieselBR.com - 16 jan 2014 - 15:14 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Um documento publicado ontem (15) pela Embrapa Agroenergia detalha o potencial de aproveitamento integral de diversas espécies energéticas nativas. Intitulado “Aproveitamento de Espécies Nativas e seus Coprodutos no Contexto de Biorrefinaria” o texto foi produzido pelos pesquisadores Simone Palma Favaro e Cesar Heraclides Behling Miranda.

O texto detalha os casos de cinco variedades vegetais nativas do Brasil consideradas como possíveis fontes de biomassa para a produção de biocombustível e bioprodutos: macaúba, babaçu, carnaúba, mandioca e aguapé. As três primeiras vêm sendo estudadas por seu alto rendimento de óleo que pode ser usado como matéria-prima para a fabricação de biodiesel enquanto as últimas têm elevadas concentrações de carboidratos que poderiam ser convertidos em etanol.

Das cinco, a que mais se destaca é a macaúba. A palmeira ocorre naturalmente em boa parte do território nacional e tem grande potencial de exploração econômica imediata. Alimentos, biocombustíveis, produtos químicos, materiais diversos e energia (calor e eletricidade) são alguns dos itens que podem ser gerados em biorrefinarias a partir da biomassa.

O estimado aumento da demanda industrial por óleos de origem renovável exigirá plantas com elevada produtividade, o que não se consegue com as lavouras de ciclo anual como a soja e a canola. Nesse sentido, palmeiras como a macaúba, o babaçu e a carnaúba podem ganhar mais espaço. “As palmáceas são as fontes vegetais com maior densidade energética”, destaca o documento. Só os resíduos do babaçu que chegam às processadoras poderiam gerar volume de energia equivalente a 2% da matriz energética nacional.

Fonte de carboidratos, a mandioca também apresenta potencial de aproveitamento energético dos resíduos da produção de farinha e fécula. A manipueira, efluente líquido resultante da prensagem, equivale a pelo menos 30% do material processado. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de mandioca, que também pode ser utilizada para fabricação de etanol.

Os pesquisadores também abordam no documento os desafios para que esse potencial econômico vire realidade. Entre eles, a exploração ainda extrativista da maior parte das espécies nativas abordadas, o que implica falta de uniformidade e garantia de fornecimento regular. Entretanto, os autores salientam que “os investimentos em ciência, tecnologia e inovação tem resultado em soluções criativas que podem ser escalonadas, criando oportunidades de novos negócios. Mantendo-se a continuidade desses esforços, certamente serão desenvolvidos processos para melhor aproveitamento dos recursos naturais, o que possibilitara geração de renda e emprego.”

O documento pode ser acessado na integra clicando aqui.

Com adaptações BiodieselBR.com