Macaúba

Projeto da UFV de desenvolvimento sustentável da macaúba recebe reconhecimento internacional


G1 - 03 nov 2021 - 09:20

Professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) que realizam pesquisas com a macaúba --espécie de planta nativa brasileira há cerca de 10 anos, tiveram um projeto de desenvolvimento da rede de valor sustentável da espécie aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o governo da Alemanha.

O financiamento, conforme divulgado pela instituição, é de mais de R$ 1 milhão e tem como objetivo apoiar soluções tecnológicas inovadoras para o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico do Brasil e da Alemanha em projetos de bioeconomia.

No início dos anos 2000, a partir do Programa Nacional de Uso e Produção de Biodiesel, verificou-se que a macaúba era uma das espécies de planta mais promissoras para a produção de biodiesel e bioquerosene -- fontes de energia limpa.

"O mundo busca soluções para sustentabilidade do planeta e a macaúba pode se tornar uma dessas soluções, e de grande impacto. Ela poderia ser cultivada em mais de 160 milhões de hectares ocupados atualmente pela pastagem (pecuária). Só em Minas Gerais seriam 25 milhões de hectares. Nessa área pode-se produzir de quatro a seis toneladas de óleo por hectare a cada ano, que pode ser a matéria-prima do biodiesel e do bioquerosene. Já imaginou quanto biodiesel e bioquerosene poderíamos produzir no Brasil? O petróleo é considerado o ouro negro. Já a macaúba pode ser o petróleo renovável cultivado nos campos brasileiros, o ouro", avaliou o professor Sérgio Yoshimitsu Motoike, coordenador do projeto.

Projeto

As pesquisas serão realizadas pelos professores do Departamento de Agronomia (DAA) através do projeto AcroAlliance. No Brasil, ele será coordenado pela UFV, com a participação do Instituto Agronômico (IAC) e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).

Na Alemanha, a coordenação será da Universidade de Hohenheim (UHOH), com a participação do Instituto Fraunhoufer (IVV).

Com a verba destinada ao projeto AcroAlliance, os pesquisadores pretendem:
- Desenvolver material de plantio geneticamente melhorado;
- Definir as melhores práticas agrícolas para o cultivo da macaúba em sistemas integrados de produção;
- Desenvolver tratamento pós-colheita para garantir frações de alta qualidade para aplicações industriais nobres;
- Desenvolver e otimizar processos de obtenção de óleos refinados, proteínas e fibras alimentares dentro de um conceito descentralizado de biorrefinaria;
- Avaliar o potencial de mercado e a viabilidade técnica dos produtos desenvolvidos a partir da macaúba e identificar estratégias e cenários sustentáveis para implementação do conceito de rede de valor.

Integram o projeto os professores Sérgio Yoshimitsu Motoike (coordenador), Leonardo Pimentel, José Antonio Grossi e Sebastián Montoya.

AcroAlliance

O AcroAlliance é resultado de um planejamento que foi iniciado na Alemanha, durante o período sabático do professor Sérgio Motoike na Universidade de Hohenheim, em 2019.

Nesse tempo, com diversos parceiros internacionais, foi criada uma rede internacional de pesquisa da macaúba (Acrocomia Hub), liderada pelo centro de pesquisa da UHOH: Global Food Security and Ecosystems (GFE). O AcroAlliance é o primeiro de muitos resultados que se pretendem alcançar com essa rede internacional.

Macaúba

No início dos anos 2000, a partir do Programa Nacional de Uso e Produção de Biodiesel, verificou-se que a macaúba era uma das espécies de planta mais promissoras para a produção de biodiesel e bioquerosene – fontes de energia limpa. Mas o furor inicial passou e o interesse diminuiu.

Contudo, com a retomada das discussões sobre aquecimento global e desenvolvimento sustentável, a palmeira nativa do Brasil voltou a tomar espaço nas discussões sobre alternativas de uso de energia.

Para o professor e cientista da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Sérgio Yoshimitsu Motoike – que pesquisa a planta desde 2005, a macaúba, hoje, pode ser considerada o novo ouro brasileiro.

A macaúba é uma palmeira endêmica das Américas, amplamente distribuída no território brasileiro. Trata-se de uma fonte alternativa de óleo e gordura vegetal capaz de produzir de 2,5 a 5 toneladas por hectare/ano.

A UFV é pioneira em pesquisa e desenvolvimento com a cultura da macaúba e reúne pesquisadores com os maiores números de publicações e citações científicas sobre o assunto nos últimos 10 anos.

Diversos resíduos da planta também possuem alto valor e potencial de aplicação nas indústrias de alimentos, cosmética, oleoquímica, compostos farmacêuticos e energia.

Esta palmeira tem ainda a vantagem de crescer em biomas mais secos, como os do Cerrado, resultando em menores riscos de desmatamento de florestas tropicais. Por esses motivos, a macaúba desperta o interesse de cientistas, agrônomos e empresários de todo o mundo.

Victória Jenz – G1