Estoque de óleo de palma da Malásia em junho atinge maior nível em quatro meses
Os estoques de óleo de palma da Malásia atingiram em junho a maior marca em quatro meses, já que a recuperação da produção superou o crescimento da demanda, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo órgão regulador do setor.
O aumento dos estoques no segundo maior produtor mundial desse óleo tropical pode pesar sobre os contratos futuros de referência.
Os estoques de óleo de palma subiram 4,78% em relação a maio, para 2,54 milhões de toneladas, o maior nível já registrado em junho. A produção de óleo de palma bruto subiu 8,08%, atingindo a maior marca em seis meses, de 1,64 milhão de toneladas, recuperando-se após uma queda em maio, informou o Conselho de Óleo de Palma da Malásia (MPOB, na sigla em inglês).
As exportações de óleo de palma saltaram 6,2%, para 1,2 milhão de toneladas, interrompendo dois meses consecutivos de quedas.
As importações em junho mais que dobraram em relação ao mês anterior, chegando a 103.113 toneladas -- o maior volume em mais de um ano --, depois que os preços na Indonésia caíram bem abaixo dos níveis da Malásia em meio à incerteza sobre a política de exportação de Jacarta.
Com os estoques nesse patamar, operadores antecipam uma menor absorção da demanda, o que leva a uma pressão baixista sobre os preços do óleo de palma, disse Paramalingam Supramaniam, diretor da corretora Pelindung Bestari.
“O mercado provavelmente entrará em tendência de baixa no curto prazo, já que isso sinaliza oferta abundante em comparação com a demanda”, disse Supramaniam.
No entanto, ele acrescentou que fatores externos, como as preocupações climáticas relacionadas ao El Niño e a iniciativa da Indonésia de promover o biodiesel B50, poderiam amenizar a queda e manter a volatilidade elevada.
A determinação da Indonésia de aumentar a mistura de biodiesel de 40% para 50% de combustível à base de óleo de palma entrou em vigor em 1º de julho e deve elevar o uso de óleo de palma bruto de 15,2 milhões de toneladas para entre 16,3 milhões e 17 milhões de toneladas, afirmou o ministro da Energia do país.
Enquanto isso, Anilkumar Bagani, chefe de pesquisa de commodities do Sunvin Group, com sede em Mumbai, afirmou que a disponibilidade recorde de óleo de soja da América do Sul continua a pressionar o óleo de palma para que se mantenha competitivo.
“Os estoques aumentaram mesmo antes do início da alta temporada de produção. Se as exportações não se recuperarem, os níveis de estoque poderão subir ainda mais nos próximos meses”, disse um corretor de Nova Délhi, que trabalha em uma trading global de commodities.
Ashley Tang e Rajendra Jadhay – Reuters


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