Canola

Agrônomo desenvolve variedade de canola adaptada ao Centro-Oeste


BiodieselBR.com - 27 set 2012 - 14:46 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
canola tropical_1_270912Há cerca de quatro anos engenheiro agrônomo, Gilberto Grando, enfiou na cabeça que ainda iria adaptar a canola ao calor tropical do Centro-Oeste brasileiro. Desde então, ele vem pacientemente selecionando e cruzando as variedades da oleaginosa e já tem duas variedades que, em suas palavras, se dão perfeitamente bem com temperaturas superiores a 35°C.

A nova variedade está sendo cultivada em Tupaciguara, município localizado no triângulo mineiro perto da divisa com Goiás. A área plantada tem 15 hectares e renderá 40 toneladas de grãos que serão usadas principalmente na multiplicação de sementes.

Desenvolvida originalmente no Canadá durante a década de 1970, a canola é uma variedade da colza cujo óleo é adequado à alimentação – na espécie original, a elevada concentração de ácido erúcico tornava o óleo pouco adequado. Por se tratar de uma espécie originária de climas temperados, até agora o cultivo da canola no Brasil esteve praticamente restrito à safra de inverno nos estados da Região Sul, uma severa limitação ao crescimento da área plantada. “Enquanto as variedades normais só dão na Região Sul, a nossa se dá muito bem nas condições do cerrado que é onde está 80% da agricultura brasileira”, assegura Grando em entrevista à BiodieselBR.

Apesar da produção brasileira de canola ainda ser pequena – com 38,5 mil hectares plantados na última safra –, há boas perspectivas de crescimento para a cultura. Especialmente depois dela conquistar a simpatia de algumas indústrias de biodiesel do Sul que vêm fomentando seu plantio como uma boa opção para rotação de culturas na safrinha.

Para contornar parte dos entraves e abrir as regiões agrícolas mais importantes do país à expansão da canola, em 2008, Grando trouxe materiais genéticos vindos de países como a Índia e a China e começou a testá-los em diferentes pontos do território nacional. Seu objetivo era selecionar quais conseguiam manter uma boa produtividade tanto em climas quentes quanto frios. “Ela tem uma amplitude muito boa e resistiu a temperaturas de 40°C graus quanto a geadas sem deixar de produzir”, garante o agrônomo. Por se tratarem de variedades de ciclo curto, elas podem ser plantadas logo após a colheita da soja e apresentam boas características na rotação de culturas. “Uma delas chega a mais de dois metros de altura o que significa que ela tem uma produção de massa seca por hectare muito interessante para operações de recuperação de solos”, finaliza.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com