Algas

Bunge e Solazyme se preparam para construir fábrica de óleo de cana no Brasil


BiodieselBR.com - 03 abr 2012 - 14:32 - Última atualização em: 04 abr 2012 - 12:36
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Atualização 04.04.2012: A notícia abaixo, traduzida do jornal New York Times, sugere que o Joint Venture entre as duas empresas seria para produção de óleo através do cultivo de algas. No entanto as informações da Solazyme dão conta de que o óleo será produzido a partir da cana-de-açúcar. O título desta notícia foi alterado do original para refletir melhor esta informação.

A promessa de se produzir biocombustíveis a partir de algas – um sonho que os cientistas alimentam há décadas – é particularmente bem-vinda neste momento em que o preço da gasolina está absurdamente alto. Mas, até agora, o caminho rumo à escala comercial parece ser circular.

Jovens empresas conseguiram atrair investidores e interesse. Contudo, conforme se empenhavam em fabricar grandes quantidades de etanol e biodiesel a um preço competitivo, algumas acabavam preferindo produzir óleos para produtos com margens de lucro maiores, como cosméticos, alimentos e sabão.

Agora, uma dessas empresas, a Solazyme, está prestes a dar um passo decisivo para a produção de combustível em larga escala.  Ela deve anunciar nesta quinta-feira um acordo com a Bunge Global Innovation para a construção de uma usina no Brasil, que fabricaria óleos triglicerídeos para produtos químicos e combustível.

Com a joint venture, cujos valores financeiros não foram divulgados, a fábrica seria erguida ao lado da usina de cana-de-açúcar Moema-Bunge, no município de Orindiuva (SP), e teria capacidade anual para 100 mil toneladas de óleo. A unidade começaria a operar no segundo semestre de 2013, produzindo óleos para a fabricação de combustível e aditivos para sabões, detergentes e plásticos.

Ben Pearcy, um dos diretores de gerenciamento da Bunge – empresa global de agribusiness e alimentos –, leu um comunicado dizendo que a parceria vai “permitir que juntemos nossas cadeias de produção de óleo vegetal e açúcar”, além de ampliar o leque de produtos da empresa nos setores de combustíveis e químicos. Para a Solazyme, que possui linhas de suplementos nutricionais e de produtos para cuidados com a pele, o arranjo proporcionará um incremento na capacidade de produção “para atender a forte demanda que estamos enxergando em nossos mercados-alvos iniciais”, disse Jonathan Wolfson, CEO da companhia.

Até agora, a empresa só produziu quantias limitadas de biocombustível, incluindo algumas centenas de milhares de litros para as forças armadas americanas, que estão em busca de alternativas aos combustíveis convencionais.

Sediada em São Francisco, na Califórnia (EUA), a Solazyme aplica processos de bioengenharia para que as algas transformem açúcares diretamente em óleo, sem fotossíntese. Isto permite que os micro-organismos sejam cultivados em tanques de fermentação, reduzindo os custos de um processo que ainda é caro.

Já a concorrente Sapphire Energy anunciou nesta segunda-feira a obtenção de US$ 144 milhões, provenientes de investidores, para a sua usina-piloto no Novo México. Recorrendo a um processo de produção que utiliza a fotossíntese, a Sapphire também recebeu US$ 50 milhões do Departamento de Energia americano, assim como uma garantia de financiamento de US$ 54,4 milhões do Departamento de Agricultura, de acordo com a empresa.
 
Diane Cardwell
Fonte: New York Times
Tradução BiodieselBR.com
Press Release da Solazyme (em inglês)