União Europeia

Comissão Europeia quer o fim dos veículos de combustão interna a partir de 2035


AFP - 15 jul 2021 - 09:33

Bruxelas propôs, nesta quarta-feira (14), reduzir a zero as emissões de CO2 de carros novos na UE a partir de 2035, o que de fato interromperia as vendas de veículos a gasolina e diesel em favor de motores 100% elétricos.

A medida deve ajudar a cumprir os objetivos climáticos da UE, mas "também irá beneficiar os cidadãos, reduzindo os custos de energia e melhorando a qualidade do ar", explicou a Comissão.

No entanto, para a indústria automotiva, a proposta "não é uma solução racional", segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis Europeus (ACEA).

"Banir uma tecnologia não é uma solução racional neste momento", disse a organização, que acredita que "todas as opções, incluindo motores térmicos altamente eficientes, híbridos e veículos a hidrogênio, devem desempenhar um papel na transição para a neutralidade climática".

A indústria está preocupada com a falta de postos de recarga e uma transformação industrial que pode causar uma hemorragia de empregos. Mesmo que já esteja envolvida na transição.

"Uma dezena de grandes fabricantes na Alemanha e na Europa já anunciou uma transformação da sua frota para veículos com emissões zero entre 2028 e 2035", sublinhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O projeto, se aprovado tal como está, significaria o fim em 2035 das vendas de veículos com motores térmicos, incluindo híbridos (gasolina-elétricos) e híbridos recarregáveis.

Sendo os veículos elétricos a bateria os únicos a cumprir o requisito de emissão zero, estes seriam de fato os únicos no novo mercado europeu, mesmo que nenhuma tecnologia seja oficialmente imposta.

Mas a proposta da Comissão ainda será debatida durante mais de um ano pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros, o que poderá conduzir a ajustes importantes.

"Nada do que foi apresentado hoje será fácil, será mesmo muito difícil", admitiu o comissário europeu para o Meio Ambiente, Frans Timmermans, evocando a necessidade de agir no interesse das gerações futuras.

O automóvel, primeiro meio de transporte dos europeus, representa cerca de 15% das emissões de CO2, um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global.

Queda de braço

Uma queda de braço já é travada entre os principais países produtores (Alemanha, França, Espanha, Itália) contra aqueles sem fabricantes nacionais, como Áustria, Dinamarca ou Holanda. A França indicou que quer defender a sobrevivência dos híbridos após 2035.

Ao mesmo tempo, o Executivo europeu está empenhado em desenvolver a rede de estações de recarga. "Ao longo das principais estradas da Europa, deve haver pontos de recarga a cada 60 quilômetros", prometeu Ursula von der Leyen.

No final do ano passado, a UE contava com 260.000 pontos de carregamento acessíveis ao público entre seus 27 Estados-membros, 70% dos quais em apenas três países (Alemanha, França, Holanda).

Ela promete 1 milhão em 2025, 3,5 milhões em 2030 e 16,3 milhões em 2050.

A Europa já havia imposto, em 2020, um limite médio de 95 gramas de CO2 por quilômetro às montadoras, que deveria ser reduzido em 15% em 2025 e em 37,5% em 2030.

Finalmente, esta redução será reforçada para atingir 55% em 2030, depois 100% em 2035, de acordo com a proposta de Bruxelas.

Esses números representariam um imenso baque para uma indústria que também terá de contar, até 2027, com o endurecimento das normas de poluição impostas aos motores térmicos.

As normas existentes já produziram efeitos, tendo os fabricantes sido obrigados a investir dezenas de bilhões de euros na eletrificação da sua gama.

Em um mercado em declínio devido à pandemia do coronavírus, os carros 100% elétricos fizeram um grande progresso. Entre abril e junho, representaram 9,3% dos novos registros na Europa Ocidental, uma participação mais de quatro vezes maior em dois anos, de acordo com o analista Matthias Schmidt.

O projeto da Comissão encantou os ambientalistas. "Este é um ponto de inflexão para a indústria automotiva e uma boa notícia para os motoristas', disse o diretor executivo da ONG Transporte e Meio Ambiente, William Todts.

Segundo ele, "as novas regras da UE vão democratizar os carros elétricos e darão um grande impulso ao carregamento, o que significa que os carros limpos serão em breve acessíveis e fáceis de carregar para milhões de europeus".