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Portugal

Portugal busca parceria com Brasil em biocombustíveis


Valor Econômico - 17 jul 2026 - 09:22

O governo de Portugal quer estreitar a parceria com o Brasil na produção de biocombustíveis e combustível sustentável de aviação (SAF), visando atrair empresas brasileiras para instalar no país unidades de produção de insumos voltadas ao mercado europeu. A estratégia integra os planos portugueses de descarbonização, sobretudo de transportes, e será um dos principais temas da viagem que a ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, fará ao Brasil na próxima semana.

Na sede do ministério, em Lisboa, a ministra afirmou que Portugal quer aproveitar a liderança tecnológica brasileira no setor para impulsionar novos investimentos.

Segundo a ministra, a cooperação foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita a Portugal, em abril, e reforçada nas conversas com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Um novo encontro entre representantes dos dois governos está previsto para quarta-feira (22), em Brasília. A viagem terá como objetivo dar continuidade às negociações, incluindo visitas a projetos brasileiros ligados ao setor.

"Queremos sinalizar que os biocombustíveis avançados e o combustível sustentável de aviação são áreas em que queremos cooperar. O Brasil possui uma liderança tecnológica consolidada há muitos anos nesses segmentos, e queremos oferecer as condições para instalar em Portugal uma ou duas fábricas para produzir esses produtos", disse.

Questionada se essa estratégia envolveria a construção de novas refinarias por empresas brasileiras em Portugal, Carvalho afirmou que as refinarias estão passando por uma transformação. Segundo ela, as futuras plantas industriais estarão voltadas à produção de hidrogênio, biocombustíveis e SAF. "Não estamos falando de uma refinaria convencional. Seria uma unidade para produzir combustível sustentável de aviação e biocombustíveis. É uma linha completamente diferente", afirmou.

A aproximação com o Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla de Portugal para a descarbonização. Em outra frente, o país tem ampliado os investimentos, com recursos de fundos europeus, na eletrificação do setor de transporte (incluindo a expansão das redes de metrô), a aquisição de ônibus elétricos e incentivos para a compra de veículos elétricos.

"Ainda somos muito dependentes de combustíveis fósseis, sobretudo no setor de transporte. Estamos fazendo um grande esforço para eletrificação, também no setor de construção. Ao mesmo tempo, estamos conscientes de que a solução para o setor de transportes não está apenas na eletrificação. Há uma parte do setor e da indústria que continuará precisando de combustíveis renováveis líquidos e gases renováveis. Estamos trabalhando nisso. Na indústria, estamos promovendo, por exemplo, o biometano e o hidrogênio", disse.

Além da agenda voltada à transição energética, a ministra destacou a importância da relação entre Brasil e Portugal. Segundo ela, o Brasil é atualmente o principal fornecedor de petróleo bruto para Portugal, respondendo por 44% das vendas do combustível.

Embora Portugal não dependa de fornecedores da região do golfo Pérsico, a ministra ressaltou que o país continua sujeito à volatilidade dos preços internacionais.

"Em momentos de incerteza política e tensões geopolíticas, é fundamental contarmos com fornecedores em quem confiamos’, disse.

Marlla Sabino – Valor Econômico