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[CBBR 2019] A nova etapa dos testes de motores

Uma rodada complementar de testes de motores está sendo realizada sob coordenação do CPT para responder questões que não foram resolvidas durante os ensaios que validaram o uso do B15

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Nem tudo saiu exatamente como a indústria do biodiesel queria este ano. Se dependesse só das usinas, o B11 teria entrado em vigor em junho passado como determinava o cronograma aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Acontece que os resultados dos testes convocados para validar o uso de misturas até o B15 e publicados no começo de março passado não conseguiram convencer todo mundo de que o aumento seria mesmo viável.

Nem tudo saiu exatamente como a indústria do biodiesel queria este ano. Se dependesse só das usinas, o B11 teria entrado em vigor em junho passado como determinava o cronograma aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Acontece que os resultados dos testes convocados para validar o uso de misturas até o B15 e publicados no começo de março passado não conseguiram convencer todo mundo de que o aumento seria mesmo viável.

Antes de dar seu aval para que os novos aumentos de mistura viessem, as empresas do ramo automotivo exigiram, não somente, que a especificação do biodiesel fosse revista – o que de fato aconteceu no começo de agosto – como, ainda, que os testes de motores fossem aprofundados. Essa inesperada prorrogação no esforço para a validação do B15 foi tema da fala do coordenador do Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT) da ANP, o químico Fábio da Silva Vinhado.

O centro tem um longo – e venerável – histórico na área de qualidade dos combustíveis do Brasil. São os técnicos do CPT que, desde 1998, estão responsáveis pelo gerenciamento do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) que acompanha a qualidade dos combustíveis vendidos em postos de praticamente todo o país. “Com esse programa chegamos a níveis entre 2% a 3% de não conformidade do
produto final que é vendido para o consumidor brasileiro. É um dos maiores programas de seu gênero do mundo”, diz.

Proficiência

Essa não seria a primeira vez que o CPT desempenha um papel central para o desenvolvimento na cadeia do biodiesel no Brasil.

Nos primeiros anos do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), o CPT promoveu um programa de proficiência voltado aos laboratórios que seriam responsáveis pelo controle de qualidade de um biocombustível que havia acabado de ser lançado no mercado nacional. “Em 2007, a gente estava próximo do [lançamento do] B2 obrigatório e precisávamos de um programa de qualidade que consolidasse a rede de laboratórios que estava sendo criada que pudesse certificar o B100 das usinas”, relembra informando que a iniciativa será reeditada no próximo ano.

Crescimento

Com o biodiesel crescendo no mercado brasileiro, a preocupação em torno de seu uso também aumentou. Fábio ressalta que desde que a Resolução CNPE 16/2018 entrou em vigor, a mistura obrigatória deixou de servir como um teto para funcionar como um piso do mercado. Em seu artigo 3º, o texto autoriza as distribuidoras que assim desejaram a adicionarem até 15% de biodiesel no combustível vendido. Ou seja, na prática, o B15 já está em vigor no Brasil.

Essa liberação dos aumentos de mistura foi precedida por um amplo programa de testes de motores. Os trabalhos foram coordenados pelo MME e tiveram 36 meses de duração. Ainda assim, eles encerraram com dúvidas. “Alguns associados da Anfavea apontaram algumas preocupações relacionadas à formação de depósitos em filtros e bicos injetores”, relembra o químico.

A responsabilidade de resolver essas questões coube ao CPT que no começo de abril deste ano convocou um workshop no qual buscou sistematizar os pontos de polêmica e desenhar um plano para respondê-los.

Foi nessa reunião que o primeiro esboço do plano que permitiu destravar a chegada do B11. “A gente chamou vários produtores de antioxidantes para saber se havia tecnologia disponível que nos permitiria avançar [na questão da estabilidade oxidativa]”, diz acrescentando que os dados coletados pelo centro mostravam que cerca de um terço dos fabricantes já conseguiam fabricar seu biodiesel com estabilidade oxidativa superior à exigida. “Isso nos mostrou que era possível elevar a estabilidade de 8h para 12h”, complementa

Esse plano acabou sendo sacramentado numa segunda reunião realizada pelo MME no final de abril.

Segundo passo

Mas o enrijecimento da norma de estabilidade para a liberação do B11 resolvia apenas o impasse mais imediato. Para realmente limpar a rota até o B15, o CPT está conduzindo uma série de experimentos mais extensos e detalhados voltados ao aprimoramento de outros parâmetros da especificação do biodiesel. “Esse estudo está em curso e, nós do CPT, estamos liderando esse esforço junto com outras instituições de pesquisa importantes”, complementa.

O esforço foi construído em cima de um projeto iniciado ainda em 2018 para estudar o uso autorizativo das misturas B20 e B30. “O foco estava voltado no uso autorizativo. Começou nesse contexto, mas a gente expandiu”, resume informando que estão controlados todos os parâmetros de qualidade do biodiesel. Além disso, laboratórios do Petrobras, INT e Mahle também estão desenvolvendo trabalhos.

“No começo de outubro enviamos os relatórios parciais com os dados brutos”, comenta adiantando que os testes experimentais devem ser finalizados na primeira semana de dezembro e que o relatório publicado em fevereiro de 2020. “Ainda não temos como dizer o que vai acontecer com a especificação do biodiesel porque o conjunto de dados é muito grande, ainda estamos tentando montar o quebra-cabeças”, finaliza.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com 20191212 CBBR2019Patrocinadores

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