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[CBBR 2019] O mercado em 2020

A indústria de biodiesel está passando por mudanças estruturais em seu caminho para a adoção do B15

BiodieselBR.com 6 min de leitura

O mercado nacional de biodiesel está se preparando para engrenar a segunda marcha. Se tudo correr como deve, em pouco mais de quatro anos o país terá completado a travessia rumo ao B15. Quando tiver chegado lá, a demanda anual no mercado compulsório deverá rondar a casa dos 9,5 bilhões de litros de biodiesel – o volume exato vai depender da evolução da economia brasileira. Antes disso, no entanto, a indústria em muito trabalho pela frente e 2020 será um marco nessa rota.

O mercado nacional de biodiesel está se preparando para engrenar a segunda marcha. Se tudo correr como deve, em pouco mais de quatro anos o país terá completado a travessia rumo ao B15. Quando tiver chegado lá, a demanda anual no mercado compulsório deverá rondar a casa dos 9,5 bilhões de litros de biodiesel – o volume exato vai depender da evolução da economia brasileira. Antes disso, no entanto, a indústria em muito trabalho pela frente e 2020 será um marco nessa rota.

Analisar as perspectivas do mercado no próximo ano foi a missão do 4º painel da Conferência BiodieselBR 2019 que reuniu do diretor executivo de BiodieselBR.com, Miguel Angelo Vedana, e o diretor da Plural, Leandro de Barros Silva.

De acordo com Miguel Angelo, a indústria tem reagido e já vem dando sinais de que está entrando numa fase de mudanças estruturais. Um sinal de que o mercado vem se tornado mais maduro pode ser vista na redução do vão entre a capacidade autorizada nominal e a que realmente está presente no mercado. Antes tínhamos muitas usinas que estavam autorizadas pela ANP, mas que não participavam dos leilões. Isso não tem mais acontecido. Quando olhamos a capacidade de oferta que tem sido adicionada [nos últimos dois anos], ela está, de fato, chegando aos leilões”, anima-se. “Também estamos vendo uma aproximação entre a capacidade autorizada e aquela que se habilita para os leilões”.

Mesmo com os aumentos da mistura já previstos, a capacidade instalada pelo setor ainda terá uma margem bastante ampla em relação à demanda. Só com base em projetos de ampliação e construção de novas usinas que já estão em andamento, a indústria deverá saltar dos atuais 9,2 para cerca de 12 bilhões de litros.

Considerando o prazo entre 18 e 24 meses que uma usina de biodiesel leva para ser construída, essa expansão deverá chegar ao mercado entre 2020 e 2021. “O que vamos ver é um aumento na capacidade que será seguido por um aumento gradual na demanda”, avalia. isso deverá impor um limite ao movimento de alta nos preços do biodiesel sentido nos leilões mais recentes. “Logo vamos começar a ver um aumento na competitividade e as margens [das usinas] vão voltar a cair”, pondera.

Evolução necessária

Se o mercado vem evoluindo em seus aspectos de oferta e demanda, para Miguel Angelo o mesmo não pode ser dito do sistema de comercialização de biodiesel. A última mudança mais substancial nos leilões aconteceu no final de 2012 que a periodicidade dos certames passou a ser bimestral. “A plataforma de leilões parou de ser atualizada, vendemos biodiesel hoje [com o B11] como vendíamos nos tempos do B5”, reclama apontando que a ANP está há um ano e meio sem conseguir implementar as mudanças que foram autorizadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

“Precisamos de uma plataforma nova para os leilões de biodiesel”, defende. O momento é propício para que essa mudança. Com a mudança no perfil da Petrobras, a petroleira não quer mais continuar intermediando a compra e venda de biodiesel. “A Petrobras está saindo de tudo o que não é seu core business”, diz. Isso cria oportunidade para que o setor quebre com a inércia e encontre um novo caminho.

“O setor de biodiesel vai faturar R$ 90 bilhões nos próximos quatro anos. Isso é mais do que os leilões do pré-sal movimentaram. Não está certo que um setor que tenha esse nível de faturamento não tenha uma ferramenta inteligente adequada às suas necessidades”, completa.

Distribuição

Na outra ponta do mercado – o de distribuição – os próximos anos também serão marcados por mudanças profundas graças ao aumento esperado no consumo de biocombustíveis e nos desinvestimentos da Petrobras no ramo de refino. Pelas contas da Plural, organização que representa as maiores distribuidoras do país, até 2027 o consumo de diesel vai crescer cerca de 29,1 bilhões de litros, enquanto no Ciclo Otto o crescimento será de 17 bilhões de litros com o etanol e o biodiesel ocupando um espaço bem maior do que já têm hoje.

Pela a avaliação do diretor da entidade, Leandro Barros, ainda falta um planejamento mais estruturado para que esse crescimento aconteça sem maiores sobressaltos. “Essa transição precisaria de um fato gerador de investimentos”, diz. Sem novos investimentos em modais de grande volume todo esse combustível extra terá que ser movimentado por rodovia. “Um dos gargalos é que esse volume precisa ser carregado e descarregado”, afirma. Barros cobra que seja construindo um arcabouço regulatório mais simples para o setor que facilite a realização das obras necessárias. “Esse é um desafio que precisamos enfrentar”, prossegue.

Não quer dizer que o país esteja partindo do zero. “O Brasil tem uma infra de distribuição muito bem construída em todas as regiões do país. Essa é uma boa notícia. Também temos uma estrutura de produção de biodiesel e etanol amadurecida”, elogia. Contudo, esse parque foi construindo com base em premissas da era do petróleo. “Nossas bases foram construídas para atender refinarias [de petróleo] onde o combustível chegava por duto e para atender biodiesel e etanol que são produtos que chegam de caminhão”, concatena.

Para Leandro, os investimentos em modais de alto volume eventualmente virão. “Se não fizer isso vai ficar caro [movimentar biodiesel e etanol]”, segue. Um estudo da Plural prevê que serão necessários investimentos de R$ 84 bilhões para manter o mercado nacional abastecido.

Sistema

A movimentação de volumes maiores é só parte da equação. Para a Plural também há grandes questões em aberto agora que teremos mais atores participando do mercado de refino além da Petrobras. “Hoje a Petrobras é a grande garantidora de abastecimento do país e tem um processo de controle de oferta e demanda dentro do contexto nacional que faz dela um elemento fundamental. O que muda quando metade da capacidade de refino vai para outros agentes?”, questiona.

As dúvidas não dizem respeito apenas ao que acontece com os leilões de biodiesel, mas a própria oferta de combustíveis fósseis. “Hoje a Petrobras tem uma política de cotas [para os distribuidores]. Como vai ser o atendimento da demanda com outros atores?”, completa. “Não podemos deixar esse diálogo aberto para resolver só lá na frente”, cobra.

Leandro também destaca a consolidação do mercado de CBios como ponto fundamental para o setor de distribuição nos próximos anos. “O processo para a adoção do B11 foi consistente tanto em termos de oferta quanto de qualidade de produto”, diz. “Temos que continuar o diálogo franco e aberto com todos os elos da cadeia responsáveis pelo processo que vai tornar o mercado mais maduro”, termina.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com 20191212 CBBR2019Patrocinadores

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