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[CBBR] A oferta de matérias-primas para a indústria

Com a indústria de biodiesel se preparando para um novo estirão de crescimento, a oferta de matérias-primas volta ser um foco de atenção

BiodieselBR.com 7 min de leitura

Com a indústria de biodiesel se preparando para dar mais um estirão de crescimento – graças à aprovação do B15 e da consolidação do RenovaBio – a disponibilidade de matérias-primas para o setor volta a aparecer como um ponto de preocupação para o setor. Entender as perspectivas presentes e futuras para algumas das fontes de óleos e gorduras de maior potencial foi o foco central do quinto painel da edição deste ano da Conferência BiodieselBR.

Com a indústria de biodiesel se preparando para dar mais um estirão de crescimento – graças à aprovação do B15 e da consolidação do RenovaBio – a disponibilidade de matérias-primas para o setor volta a aparecer como um ponto de preocupação para o setor. Entender as perspectivas presentes e futuras para algumas das fontes de óleos e gorduras de maior potencial foi o foco central do quinto painel da edição deste ano da Conferência BiodieselBR.

O debate reuniu informações sobres as duas matérias-primas mais importantes usadas pelas usinas – a soja e o sebo – apresentadas por Daniel Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), e por Decio Coutinho, presidente executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). Além destas, o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, apresentou um panorama sobre o potencial – ainda longe de ser concretizado – para o desenvolvimento do cultivo de palma-de-óleo no Brasil.

Soja

Para Daniel um dos maiores nós que devem ser desatados para dar sustentabilidade para o crescimento do setor no longo prazo é o do esmagamento de soja. O desafio vem do fato de que a configuração atual do mercado vem estimulando muito mais a produção e exportação de soja em grão do que seu processamento. “Como a China é um mercado gigante que demanda muita soja in natura, o que temos visto é que a participação do grão nas receitas do complexo soja vão subindo enquanto a do farelo e óleo caem”, constata. O resultado dessa tendência pode ser facilmente visto nos números do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) sobre as exportações de soja e derivados. No começo da década de 1990, as o grão representava pouco mais de 30% do total e avançou de forma consistente até passar dos 80% no ano passado.

Isso não quer dizer que a indústria de esmagamento brasileira esteja necessariamente em má situação. “Temos um parque industrial moderno que é fruto de investimentos de muitos anos das empresas”, aponta ressaltando que o segmento costuma responder bem quando estimulado. “As curvas de capacidade esmagamento ativa e de capacidade total tendem a se aproximarem sempre que há aumento da mistura de biodiesel. O biodiesel ajuda a dar utilização ao esmagamento”, prossegue.

Segundo ele, o Brasil já conta com uma base instalada de esmagadoras ativas – pouco mais de 60 milhões de toneladas – que seriam capazes de atender à demanda do B15 mesmo se considerarmos que a demanda de óleo diesel deverá retomar sua trajetória de crescimento. Nas contas da Abiove a produção nacional de biodiesel em 2023 será de 9,1 bilhões de litros dos quais 8 bilhões de litros virão do óleo de soja. “Temos capacidade de esmagamento de soja ativa hoje para atender tudo o que vamos precisar de óleo de soja para biodiesel em 2023”, pontua.

Apesar de todo o receio sobre os impactos da guerra comercial entre Estados Unidos e China pode ter sobre o segmento de esmagamento que levaram a Ubrabio a defender a adoção de políticas compensatórias mais estruturadas, Daniel adota um toma mais otimista. “Apesar de 2018 ter sido um ano bastante atípico por causa da greve dos caminhoneiros, do tabelamento dos fretes e da guerra comercial, o fato é que os processadores estão conseguindo honrar seus compromissos. (...) Imaginem o que conseguiríamos sem tantas adversidades? Por isso acho que o cenário tende a melhorar”, diz.

Para resolver o impasse causado pela disputa entre a indústria nacional e os importadores chineses pela soja brasileira, Daniel advoga mais ambição no mercado externo. “Temos que negociar a abertura do mercado chinês para a exportação de farelo de soja e aumentar as exportações de carnes para a Europa criando mais demanda interna por farelo. Essa é a saída de longo prazo”,

Sebo

Decio Coutinho também está confiante quanto a continuidade quanto ao crescimento da oferta de sebo. “Com o aumento da população teremos um aumento no consumo de carnes. (...) Teremos um aumento dos abates e, com isso, mais sebo disponível”, analisa.

Além disso, apesar de recentes problemas vividos pelo segmento pecuarista ocorridos depois na sequência de operações da Polícia Federal – as operações Carne Fraca e Carne Fria – o Brasil deverá seguir como um dos líderes globais do segmento de proteínas animais. “Tivemos a retomada das exportações para a Rússia e, também, a habilitação de novas plantas de carne bovina e suína para a China”, prossegue.

A projeção da Abra é que os abates de bovinos aumentem cerca de 15,5% nos próximos anos indo dos atuais 38,8 milhões para chegar em 44,8 milhões de cabeças em 2026. “Somando tudo teremos um aumento da oferta de sebo a preços competitivos”, garante estimando que oferta aumente em cerca de 200 mil toneladas entre 2018 e 2026

Palma

Embora esteja muito longe de se tornar uma potência global de produção de óleo de palma, o Brasil tem potencial para tanto afinal o país conta com mais de 30 milhões de hectares aptos ao cultivo segundo o zoneamento agroecológico conduzido em 2010 pela Embrapa. A realidade, no entanto, é bem inferior. O levantamento mais recente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma) mostram menos de 235 mil hectares plantados.

Isso não desanima o pesquisador Bruno Laviola para quem a palmeira ainda tem a vantagem mais importante de todas: a produtividade. “Para produzir a mesma quantidade de óleo que temos em um hectare de palma, precisamos plantar oito hectares de soja”, diz. O potencial é tamanho que se o Brasil plantasse 14 milhões de hectares de palma – menos da metade dos 35,1 milhões de hectares que a soja ocupou na safra 2017/18 – seria possível substituir 100% do diesel consumido pelo país por biodiesel.

Foi precisamente essa característica que tornou o óleo de palma o óleo vegetal mais consumido do mundo respondendo por cerca de 30,7% da oferta mundial. “Essa é uma realidade relativamente recente. Até o começo da década de 1990 a soja liderava o mercado [com 20,1% da oferta]. Foi só depois de muitos os investimentos na Malásia e Indonésia que tivemos essa virada”,

Para Bruno o pais deveria voltar a investir na oleaginosa. “Precisamos aumentar a escala de produção e retornar esforços de pesquisa”, diz. Para tanto é preciso resolver uma série de problemas entre os quais a regularização fundiária da Região Norte, aumentar a oferta de sementes e mudas e consolidar linhas de crédito apropriadas a uma cultura que só se torna produtiva depois de terceiro ou quarto ano. Ele recomenda principalmente a retomada do Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo lançado em 2010 para disciplinar a produção em bases sustentáveis. “Embora o programa tenha sido descontinuado, ele ainda é referência. Esperamos que o novo governo tenha interesse em retomá-lo”, arremata.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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