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[CBBR 2018] Ubrabio propõe retenção na exportação de soja em grão

Entidade quer que ganhos com exportação de soja ajudem a estimular industrialização do grão no mercado interno

BiodieselBR.com 5 min de leitura

A soja – ou sua possível falta – anda mesmo tirando o sono dos empresários do ramo de biodiesel. Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor mundial do grão, com 119,3 milhões de toneladas colhidas na última temporada, o país tem sentido dificuldades para garantir que parte de seu principal produto agrícola fique no mercado nacional para ser processado. Um problema que recrudesceu a medida que as relações comerciais entre Estados Unidos e China entraram em ebulição.

A soja – ou sua possível falta – anda mesmo tirando o sono dos empresários do ramo de biodiesel. Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor mundial do grão, com 119,3 milhões de toneladas colhidas na última temporada, o país tem sentido dificuldades para garantir que parte de seu principal produto agrícola fique no mercado nacional para ser processado. Um problema que recrudesceu a medida que as relações comerciais entre Estados Unidos e China entraram em ebulição.

Representantes da indústria tem demonstrado preocupação de que essa situação possa tornar o Brasil ainda mais dependente da China. No primeiro dia da Conferência BiodieselBR, o presidente do conselho da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, já havia cobrado urgência do governo brasileiro. No segundo dia, ele voltou ao palco em companhia da doutoranda em agronomia pela Unesp, Thaísa Moreti, para detalhar uma proposta que pode ajudar a resolver o problema.

Na opinião de Juan Diego, o Brasil não tem defendido adequadamente seus interesses nacionais. “Estamos com indústrias paradas porque elas acabaram vendendo seus estoques [de soja]. Se essa situação continuar no ano que vem, podemos ter um verdadeiro desastre”, alarma-se acrescentando que, por conta do apetite chinês, entraremos em 2019 com os estoques de passagem praticamente zerados.

“Estamos colocando o alerta para o governo eleito”, indica. Com a evolução da mistura obrigatória – de B10 até B15 – já aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) será fundamental estimular também a indústria de esmagamento.

Na mesma cesta

Embora a China venha se mostrando uma parceira comercial de suma importância para que a sojicultura brasileira atingisse sua atual posição de pujança – o mercado chinês absorveu mais de 80,5% das 74,5 milhões de toneladas de soja exportados pelo Brasil até outubro –, para Juan Diego não é sábio colocar todos os ovos numa mesma cesta.

“Quando muito de seu agronegócio depende de um único cliente, isso pode ter consequências gravíssimas”, pondera. Ele ainda ressalta que, com resultados favoráveis, o Brasil exporta commodities de baixo valor agregado para o gigante asiático enquanto importa de lá produtos manufaturados. “É uma dinâmica perversa que tende a se tornar viciosa”, prossegue.

“Os sojicultores brasileiros estão recebendo um prêmio maior pela soja que estão exportando para a China hoje, mas esse será um efeito passageiro. Os produtores precisam despertar [para essa questão] e para os efeitos do desabastecimento do mercado interno”, elabora Juan Diego. A redução da oferta interna pode afetar a competitividade do país na produção de rações e, consequentemente, nos mercados de carnes.

Políticas compensatórias

Para contornar a situação, Juan Diego defende que o país adote políticas compensatórias de forma urgente para corrigir as distorções que estão se acumulando no mercado. Essas medidas poderiam ser revertidas caso a guerra comercial entre EUA e China esfriasse. Ele reconhece que a proposta é pouco ajustada ao perfil liberal do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. “Não tem nenhum sinal de simpatia da parte deles para nossa proposta. Teremos que fazer um trabalho de convencimento”, admite.

Essencialmente, a política sugerida pela Ubrabio defende que seja criada uma tarifa de 10% sobre o valor da soja in natura exportada. Esses recursos seriam integralmente usados para compor um fundo de promoção da cultura de soja e financiar um ‘reintegra’ pago sobre as vendas de farelo. “Nossa proposta tem o mérito de estimular um novo mercado para nossa soja. Embora a demanda da China seja impressionante, ela não é infinita e nosso potencial produtivo é maior do que os chineses conseguem consumir”, afirma. Isso faria com que parte dos recursos arrecadados acabasse voltando aos próprios produtores de soja.

Pelas contas da Ubrabio, essa política permitiria que o volume de soja esmagado internamente crescesse 7% ao ano, indo dos 46 milhões de toneladas projetados para este ano para 98 milhões de toneladas em 2030. Isso representaria cerca de 50% dos 200 milhões de toneladas que o país deverá colher na safra 2029/30.

Hoje, o processamento atinge menos de 37,1% da soja colhida. As exportações de soja em grão continuariam crescendo, mas a um ritmo bem menor – de 2% ao ano – chegando a 98 milhões de toneladas em 2030.

O programa teria ainda outros efeitos positivos para a economia nacional. “O enorme crescimento da oferta de farelos ajudaria o país a consolidar sua posição como campeão mundial da indústria de carnes”, prossegue. “O preço da soja no mercado interno deixaria de ser ‘feito’ pela China e passaria a ser definido pela indústria nacional”, finaliza acrescentando que, se for bem-sucedida, essa política poderia servir como modelo para estimular a industrialização de outros produtos agrícolas brasileiros como o milho ou o algodão.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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