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[BiodieselBR 2013] Dornelles: “Vento a favor”


BiodieselBR.com - 30 set 2013 - 09:56 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O diretor de energias renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, será um dos palestrantes do segundo dia da Conferência BiodieselBR 2013. Ele apresentará a palestra “Diretrizes e perspectivas para o setor” tema que parece indicar uma palestra com ambições bem maiores do que simplesmente debater sobre a influência dos leilões na dinâmica do mercado de biodiesel. 

Segundo ele, desde a introdução do novo sistema de leilões temos tido um mercado de biodiesel mais competitivo. Fato que tem se traduzido numa maior aproximação entre os preços do biodiesel e os do diesel mineral. Algo que ele considera fundamental para que o novo marco regulatório do setor possa finalmente avançar. “Como é de conhecimento geral, a parte técnica fez uma proposta de marco, mas ela ainda não caminhou porque havia percepção de que as condições não estavam adequadas no que diz respeito ao preço do produto e ao impacto inflacionário que isso causaria”, afirma. 

Mas isso tem mudado nos últimos tempos tanto em função da queda nas cotações internacionais dos óleos vegetais, quanto por uma melhor racionalidade na cadeia produtiva. O resultado têm sido um biodiesel mais competitivo em relação ao derivado do petróleo. “Esse [a redução do preço] é um fato positivo e que coloca o vento a favor”, anima.

Esse seria um ponto mais importante até do que uma eventual vantagem do biodiesel para a balança comercial. “Esse é um ponto muito falado, mas olhando o ponto de vista da balança brasileira como um todo, o impacto não é tão grande. Isso porque eu atendo o aumento de mistura deslocando um óleo de soja que a gente exportaria. Isso significa que eu troco diesel importado por óleo de soja exportado e, como os preços desses dois não são muito diferentes entre si, o impacto final não é muito significativo”, pondera. Dornelles acrescenta que começaria a haver vantagem conforme a demanda de óleo para a produção de biodiesel levasse a um maior esmagamento de soja. “Isso geria os benefícios de geração de riqueza e empregos da agregação de valor”, complementa.

Marco
“É importante dizer que, embora ainda não tenhamos uma decisão sobre a apresentação do marco, as diretrizes foram cumpridas”, referindo-se a uma série de gargalos que haviam sido identificados pelo governo federal como obstáculos a serem removidos antes que novos aumentos de mistura pudessem acontecer. “Antes a gente tinha alguns problema nos leilões e tivemos mudanças positivas. Agora nós temos: um melhor relacionamento entre os agentes da cadeia, melhor precificação do produto final e redução dos preços e margens. Por um lado isso pode ser ruim para os fabricantes, mas por outro é bom para o país”, garante.

De acordo com Dornelles, as áreas técnicas do governo estão empenhadas em manter os fundamentos do marco alinhados com as condições do país e que, por isso, eles tem trabalhado “levantando novos dados pedindo informações adicionais aos atores da cadeia”. A ideia com esse esforço é manter da proposta do marco sempre o mais atualizada possível.

Há também um cuidado com o aprimoramento do modelo em todas as demais esferas. São exemplos a ferramenta utilizada pela Petrobras para a realização dos leilões (a plataforma Petronect), o aprimoramento nas especificações e monitoramento de qualidade pela ANP e a adequação nas regras do Selo Combustível Social do MDA. Em sua leitura todas essas são medidas de aperfeiçoamento importantes. “O marco legal não é só a definição da mistura obrigatória, do Bx. Ele é um conjunto de normativas relacionadas ao setor”, prossegue. 

“Temos dois pratos na balança e precisamos buscar o equilíbrio para que o setor tenha um crescimento harmonioso”, arremata.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com