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Concorrência afeta resultado da Brasil Ecodiesel


Valor Econômico - 31 mar 2011 - 06:21 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

O aumento da concorrência afetou os resultados do quarto trimestre da Brasil Ecodiesel, uma das maiores produtoras de biodiesel país, e fez a empresa abrir mão de disputar com deságios cada vez maiores os leilões da Petrobras - sua única cliente compradora.

Mas a empresa projeta um 2011 melhor, principalmente, em razão da sua diversificação com a aquisição, em dezembro, da Maeda Agroindustrial, produtora de soja, milho e algodão.

A Brasil Ecodiesel apurou perdas de R$ 15,9 milhões nos últimos três meses de 2010, com receita líquida de R$ 46,1 milhões. No mesmo período de 2009, o resultado foi negativo em R$ 88,6 milhões, com receita de R$ 128,2 milhões.

Esses dados não são comparáveis, porém, porque o balanço do quarto trimestre de 2010 segue o novo padrão contábil IFRS, enquanto o de 2009 foi estabelecido dentro das normas da contabilidade anterior. Em razão das mudanças das regras contábeis, as empresas terão até o dia 15 de maio para apresentar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os balanços do três primeiros trimestrais de 2009 e 2010, quando encerra o prazo para a divulgação das demonstrações dos primeiros três meses de 2011.

No ano de 2010, a empresa totalizou prejuízos de R$ 22,9 milhões, ante um resultado negativo de R$ 34,8 milhões em 2009.

O prejuízo foi menor porque a empresa registrou baixas contábeis. A mais relevante foi o valor de R$ 12,1 milhões, que tinha sido provisionado pela Brasil Ecodiesel como multa a ser paga pela Petrobrás, em razão da não retirada de biodiesel pela companhia em determinados leilões.

Essa multa era parte de uma disputa na Justiça da Brasil Ecodiesel com a Petrobras, que pleiteava o pagamento de multa de R$ 100 milhões pela não entrega de biodiesel.

O fim da pendência abre espaço para a Brasil Ecodiesel voltar a crescer significativamente, depois de dois anos de forte retração em meio a reestruturação financeira e queda na produção. 

"A empresa vendeu por aproximadamente R$ 1,95 cada litro de biodiesel que custou R$ 2,64 para produzir." VEJA MAIS


Curiosamente, o preço do papel não se alterou com a divulgação do comunicado. O preço das ações da empresa segue em torno de R$ 1.

O que tem preocupado os executivos da empresa é o aumento dos deságios nos últimos leilões. A média dos deságios subiu de 1%, há cerca de um ano, para 25% no quarto trimestre de 2010.

"Os leilões se transformaram numa verdadeira carnificina", diz o executivo José Carlos Aguilera, presidente da Brasil Ecodiesel.

Os deságios subiram em razão do aumento do número de concorrentes - dobrou para 40 em um ano - e pela taxa de ociosidade dos produtores, estimada em 60%.

Pela primeira vez na sua história, a empresa divulgou projeção de desempenho para o ano.

A Brasil Ecodiesel espera faturar R$ 850 milhões em 2011, com a operação da Maeda. O total é a soma dos negócios de R$ 569 milhões a serem reportados pelo negócio de biodiesel e R$ 277 milhões pela divisão de agricultura.

Ao concretizar a expectativa, a expansão será de 33% sobre a receita total das duas operações, que juntas somaram R$ 633 milhões no ano passado.

"Com a aquisição da Maeda, passamos de uma empresa de produção de biodiesel para uma corporação de agronegócios", diz Aguilera.

A expansão está fundamentada em alguns pilares: ampliação da área plantada, reforço da cultura de algodão, mais lucrativa.

Denise Carvalho