Miguel Angelo

Opinião: a surpresa do leilão


Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR - 17 fev 2011 - 15:10 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:43

O 21º leilão de biodiesel da ANP ainda está acontecendo. Faltam 30 itens ou 38,45 milhões de litros para encerrar o pregão. Esse é o momento ideal para fazer uma análise sem estar influenciado pelo nome dos vencedores, que só será revelado amanhã.

Que supresa!
O preço do biodiesel foi uma supresa para todos. As contas que foram apresentadas mostravam que era muito difícil produzir biodiesel a R$ 2,32 e diziam que por isso a ANP precisava mudar o preço. As contas estavam erradas e a ANP deve estar aliviada, já que o leilão mostrou que o preço máximo dava uma boa margem para as usinas.

A pressão agora se volta para as unidades produtoras, que terão que mostrar ao governo que com esse preço final é viável entregar 100% do volume contratado. Não será fácil convencer os gestores do PNPB que a mistura deve subir se o oposto deste cenário acontecer. Os players devem mostrar que são maduros o suficiente para não vender quando o preço fica (ou pode ficar) abaixo do custo.

Quem vendeu mais de 60% da capacidade não poderá usar o discurso de que é melhor vender do que deixar a fábrica parada. Esse discurso só serve para quem vendeu pouco. E acredito que haverá usinas nessa situação de desespero, operando para não ficar parada, mas elas não terão vida longa neste mercado. A tendência é que o setor fique ainda mais competitivo com a entrada de novos grandes players, como a Cargill, Noble e Bianchini.

Uma alternativa para as usinas que não estão intimamente ligadas a soja é o incentivo do governo às matérias-primas alternativas. O problema é que esse incentivo pode chegar tarde demais. A outra hipótese que poderia ajudar as empresas seria o aumento da mistura, mas mesmo que ele venha no começo de 2012, a oferta terá crescido o suficiente para que o aumento seja inócuo. Da mesma forma, um cronograma de aumento de mistura trará novos empresários que farão com que a oferta continue muito maior que a demanda. Quando for diferente é por que o setor está desacreditado e está morrendo.

Por fim, esse preço do 21º leilão pode mostrar que depois de um longo período de aprendizado o biodiesel entrou em uma fase de consolidação. E ao final desse processo ficarão apenas aqueles que souberem administrar uma margem apertada de lucro.


Ou então, mostrar que esse foi apenas um leilão errático, influenciado pelo fator "ADM sem selo, com liminar" e o próximo leilão voltará a regra de pequenos deságios. Nesse último caso o aumento da mistura pode estar mais distante.

Miguel Angelo Vedana é diretor-executivo da BiodieselBR e faz parte do conselho editorial da revista BiodieselBR.