BASF
Biodiesel

Primeiro biocombustível em Portugal dentro de 4 anos


Açoriano Oriental - 28 jul 2008 - 05:23 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:06

Numa altura em que se discute o recurso à energia nuclear para combater a dependência energética nacional, a SGC Energia aposta na produção de biocombustível a partir de óleo de soja e investe em soluções de investigação e desenvolvimento tendo em vista a produção de combustíveis alternativos ao petróleo a partir de algas e jatrofa.

Presente em Moçambique desde há cerca de dois anos com o projecto ENERTERRA, a SGC Energia tem uma plantação de 1.000 hectares de jatrofa, distribuída por várias zonas do país, que emprega cerca de 600 pessoas.

"Temos em Moçambique um projecto de plantação de jatrofa, que é uma planta energética tóxica, não alimentar, que cresce em áreas semi-áridas que nunca poderiam ser utilizadas para fins agrícolas", disse o presidente da SGC Energia, Vianney Valès, em entrevista à agência Lusa, considerando que este projecto é "um maiores trunfos para fazer dos combustíveis alternativos ao petróleo um negócio sustentável a prazo".

Vianney Valès indicou que estes primeiros anos do projecto ENERTERRA foram dedicados "à selecção e testes das melhores sementes", adiantando que o projecto vai entrar "numa fase industrial a partir deste Verão", altura em que serão plantados "500 a 1.000 hectares por mês".

Com base neste calendário, o presidente-executivo da SGC Energia prevê que a produção de biocombustível oriunda destas plantações chegue a Portugal e à Europa dentro de quatro anos.

"A planta [jatrofa] demora quatro anos a atingir a maturidade, pelo que só daqui a quatro anos é que teremos produção oriunda destas plantações a entrar em Portugal ou na Europa e Portugal a ser exportador desta matéria-prima", afirmou Vianney Valès.

Apesar de se escusar a quantificar os "vários milhões de dólares" investidos no ENERTERRA, o presidente da SGC Energia diz não ter dúvidas de que este projecto atrairá clientes.

"As cinco fábricas [de biocombustíveis que existem] em Portugal são todas clientes potenciais em Portugal", afirmou Vianney Valès, colocando também as fábricas europeias na lista dos possíveis compradores.

"Todas as fábricas europeias estarão à procura destas matérias-primas, que vão permitir estabilizar os preço do gasóleo para o consumidor final", disse.

No campo da investigação e desenvolvimento, a SGC Energia conta actualmente duas unidades-piloto, uma em El Paso, no Novo México, que está a estudar a produção de biocombustível a partir de algas, e outra nos Açores, que visa a transformação de resíduos sólidos em combustíveis.

"Temos um programa muito ambicioso de criação de algas em fotobioreactores, que está a ser desenvolvido há quase um ano numa unidade-piloto em El Paso", adiantou o presidente da SGC Energia, acrescentando que este projecto está a ser desenvolvido em parceria com a empresa norte-americana Global Green Solutions.

Além destes três projectos, a SGC Energia tem em Alhandra, Vila Franca de Xira, uma fábrica que produz e comercializa biodiesel produzido a partir de óleo de soja.

A Biovegetal, que começou a funcionar numa fase piloto em Novembro de 2007, tendo arrancado dois meses depois a fase comercial, produz hoje entre 150 a 300 toneladas de biodiesel por dia, que têm como destino as frotas dos transportadores rodoviários de mercadorias e as refinarias nacionais.

A Biovegetal, uma das cinco fábricas de biocombustíveis que actualmente existem em Portugal, representa um investimento de 100 milhões de euros do grupo SGC.