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Biodiesel

Cooperativa vende óleo reciclado a Petrobras


diário do nordeste - 30 out 2009 - 07:13 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:09

Quixadá. Seis jovens, muita determinação e um momento histórico. Camila França, Renato Chagas, Jaqueline Prudêncio, Sales de Sousa e Patrícia dos Santos são os primeiros estudantes do Brasil a processarem óleo de cozinha usado e comercializarem o insumo comestível para a Petrobras. Eles acabam de vender dois mil litros para a Unidade de Produção de Biodiesel de Quixadá, no Interior do Ceará. O resíduo líquido reciclado será transformado em combustível ecologicamente correto, o Biodiesel.

O primeiro negócio da Cooperativa Socioambiental e Reciclagem de Quixadá (Ó-Limpo) foi fechado diretamente com o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rossetto. Em nome dos cooperados, Patrícia dos Santos recebeu o cheque da primeira venda para a empresa estatal. O presidente da subsidiária da Petrobras também assinou o recebimento da primeira nota fiscal da cooperativa. Pela importância do momento, o pagamento foi realizado numa solenidade com a participação da direção da unidade de produção de Quixadá.

Na oportunidade, a diretora executiva da Ó-Limpo, Camila França, relatou as dificuldades até a concretização do primeiro negócio. Foram 10 meses de muito trabalho, batendo de porta em porta, tentando convencer a população a não despejar o óleo usado pelo ralo. A expectativa era atingir, pelo menos, 10 mil litros no primeiro semestre de atividades da cooperativa, criada em outubro do ano passado. Vinte jovens haviam sido selecionados, mas a maioria acabou desistindo. Ela continua apostando no projeto.

A meta agora é multiplicar a coleta mensal para refinamento na estação de tratamento instalada na Feira de Animais de Quixadá. A Petrobras só comprará a partir de mil litros. Além dos "ocupantes" espalhados pelas escolas e rede da Associação de Mercadinhos de Quixadá (Ame), a Ó-Limpo está implantado o "bônus aula". Moradores do Carrascal, uma área residencial de Quixadá, irão trocar litros de óleo usado por aulas promovidas pela associação do bairro. Os pré-universitários poderão participar do cursinho e os alunos do Ensino Fundamental terão reforço escolar.

Outra alternativa encontrada foi a troca de óleo por cupons promocionais. A cada litro a população pode participar do sorteio de eletrodomésticos. Os produtos são doados pelos comerciantes da cidade. A equipe da Ó-Limpo agradece o auxílio e elogia a receptividade. Em breve poderão receber o Selo Social do compromisso com o meio ambiente. A Prefeitura tem sido outro parceiro importante. A máquina tem capacidade para filtrar mil litros por dia.

Apesar de já contarem com mais de duas dezenas de empresas parceiras, dentre elas restaurantes e panificadoras, os 100 litros de óleo coletados semanalmente não são suficientes para manter a cooperativa. Dos três mil litros recolhidos e reciclados nos últimos dez meses um terço não pode ser comercializado com a Petrobras. No processamento de filtragem térmica a 70 acabam se transformando numa pasta. O subproduto gerado pode ser utilizado na produção de sabão.

Miguel Rossetto ficou impressionado com a disposição e a iniciativa dos jovens de Quixadá. Assistiu atento à aula técnica de Renato Chagas, aluno do 2º Ano do Ensino Médio e gerente de produção da Cooperativa. Rossetto reconheceu neles um exemplo a ser seguido. Diante dos convidados, se prontificou a barganhar junto ao Conselho Deliberativo da Petrobras recursos para a produção de sabão.

O gerente de Suprimento da Usina de Quixadá, Paulo Roberto Dias, destacou outra importante conquista da Cooperativa. O índice de acidez do óleo analisado no laboratório da Petrobras atingiu um dos mais baixos certificados até hoje, apenas 1,05%. O nível tolerado é de 5%. Quanto menor, mais apropriado o resíduo para produção do Biodiesel. Iniciam o negócio com um excelente conceito técnico, referência dos grandes parceiros de uma das maiores indústrias de energia mundial.