Biodiesel

Com novos sócios, Conatus processará biodiesel no PR


Valor Econômico - 27 ago 2008 - 05:31 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:07

Após reestruturar sua composição societária, a Conatus Bioenergia reprogramou para abril do próximo o início das operações de sua unidade de produção de biodiesel, localizada em Andirá (PR). O projeto consumirá investimento de R$ 140 milhões. A planta terá capacidade de produção de 115 mil toneladas de biodiesel por ano, segundo Carlos Freitas, superintendente industrial da companhia.

A coreana Mobilink, do ramo de telecomunicações, que havia assinado um memorando de entendimentos para participar do projeto com a Conatus, acabou desistindo. Em contrapartida, a Alusa, do setor energético, e a Gecon, voltada à síntese de lubrificantes, entraram no projeto. Segundo Freitas, também já foi assinado memorando de entendimentos para a participação da Petrobras no projeto.

A usina terá a soja como principal matéria-prima, mas também poderão ser utilizados girassol, sebo animal e nabo forrageiro no processo de produção do combustível. “O uso da soja é questão de mercado. É difícil que outras matérias-primas ocupem o lugar dela”, diz Freitas.

A programação da empresa prevê processamento do grão a partir de abril de 2009. Inicialmente, a oleaginosa será processada para a obtenção apenas de farelo e óleo, com o qual, no começo das atividades, não será produzido biodiesel. O combustível passará a ser produzido a partir de julho, segundo o novo cronograma da Conatus.

A empresa foi criada a partir da união entre Carlos Freitas, engenheiro com experiência de 13 anos no mercado de combustíveis nos Estados Unidos, e a Conatus Energia, empresa que, entre outras atividades, presta realiza projetos básicos de pequenas centrais hidrelétricas.

O projeto da Conatus faz parte de um universo de pelo menos 15 unidades voltadas à produção de biodiesel em construção no Brasil. Apesar das queixas do setor com os baixos preços praticados nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o país é um dos que concentram o maior número de projetos em andamento no mundo. Nos Estados Unidos há 62 plantas em obras e, somados, todos os países da União Européia têm 58 projetos em andamento.

“O mercado está bem. Agora todos estão na expectativa da antecipação do B5”, disse Odacir Klein, presidente executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), em referência à mistura obrigatória de 5% de biodiesel no diesel convencional, programada para ocorrer em 2013.

Entre as queixas do setor está a alta do preço da soja, principal matéria-prima utilizada no Brasil para a produção do combustível, que afetou as margens das fabricantes. Ainda que com esse cenário, Carlos Freitas, da Conatus, mantém o otimismo. “Só acredito em matéria-prima que tem escala. Não adianta querer fazer biodiesel de outra forma”, disse.

Patrick Cruz, de São Paulo