Biodiesel

Biocombustiveis: usina é chance de melhor renda no semi-árido, diz Lula


Agência Safras - 21 ago 2008 - 05:24 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (20), em Quixadá, no sertão do Ceará, que a inauguração da usina de biodiesel da Petrobras naquele município se constitui em uma "chance extraordinária" para a agricultura familiar do semi-árido nordestino conseguir melhor renda. Segundo ele, essa foi a razão pela qual as três usinas da Petrobras Biocombustíveis foram implantadas no Polígono das Secas: uma em Candeia, na Bahia, já inaugurada; a de Quixadá, inaugurada hoje; e a de Montes Claros (MG), em fase de conclusão.

O presidente disse ao governador cearense, Cid Gomes, a ministros e a parlamentares presentes na cerimônia de inauguração da usina, para registrarem em seus calendários a data de hoje como parâmetro, para analisarem dentro de cinco anos, já fora do governo, o quanto será importante o programa de biodiesel para os pequenos produtores rurais.

"Mas também sem esquecer a ajuda que os grandes produtores podem dar", observou. Segundo o presidente os grandes produtores podem ser os produtores de oleaginosas, que darão origem ao combustível.

Dizendo-se "entusiasta do programa", Lula lembrou a existência de críticos a uma iniciativa que, segundo ele, "será sucesso mundial". O presidente disse que, recentemente, leu matéria de jornal segundo a qual a cultura da mamona para extração de óleo tinha fracassado no Brasil.

"Mas, como?", questionou ele, "se nem começamos ainda a dar dimensão industrial ao programa do biodiesel através da mamona, porque tem muita pesquisa para melhorar a qualidade da semente, para saber o que se faz com a glicerina e que tipo de ação vamos conduzir".

Ele afirmou que "tem todo um processo a ser discutido, mas aqueles que não acreditam no programa já começam a vender que não vai dar certo". Lula demonstrou convicção, porém, de que "essa é a grande oportunidade que temos de desenvolver uma parte do país que há 300 anos é conhecida como a parte mais miserável". Para viabilizar o programa da melhor forma possível, ele disse que as articulações estão sendo feitas com os trabalhadores rurais, dirigentes sindicais e os diferentes níveis de governo.

Como se trata de um programa novo, acrescentou o presidente, "temos que impedir que ele caia no desvio como outros programas bem intencionados caíram no Brasil; e aí é preciso olhar o desenvolvimento do programa com lupa.

Principalmente porque a discussão do biodiesel tem causado celeuma e grandes debates daqueles que dizem que a produção de biodiesel vai substituir a questão do alimento".

Ao referir-se à polêmica entre oferta de alimentos e plantio de culturas para produção de biocombustíveis, Lula se dirigiu aos agricultores e ressaltou que "se alguém deixar de plantar alimentos e dedicar toda sua terra para plantar coisas para o biodiesel estará cometendo um erro".

Ele disse ser preciso que utilizem uma parte da terra para produzir alimentos e criar pequenos animais, até porque não acredita que "um ser humano normal deixe de produzir combustível para seu estômago, para suprir a necessidade energética e orgânica de que precisa" e dê prioridade a encher o tanque do carro. "O que queremos dizer", enfatizou, "é que é totalmente compatível termos uma grande política de biocombustível com uma grande política de produção de alimentos".

Foi acreditando nisso, segundo o presidente, que o governo federal lançou há dois meses o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), que prevê a destinação de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que agricultores familiares financiem a compra de 60 mil tratores e 300 mil implementos agrícolas. Tudo com financiamentos em dez anos, mais três de carência, e a juros de apenas 2% ao ano.

O presidente disse que "está na hora da gente apostar num grande investimento de financiamento de tecnologias e ao mesmo tempo levar assistência técnica para todos aqueles que já têm a sua terra tornarem-na a mais produtiva possível".

Ele afirmou que nenhum país tem condições tão favoráveis quanto o Brasil para o aumento da produção alimentar. Por isso, relembrou afirmação sua, em recente reunião do Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em Roma, quando disse que "não podemos aceitar que apontem o dedo sujo de óleo para o Brasil, que quer produzir um biocombustível limpo e renovável". Com informações da Agência Brasil.