Biodiesel

A Petrobrás e a bioenergia


Folha da Região - 25 ago 2008 - 05:34 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:07

A Petrobrás preparava-se para se transformar na empresa de energia verde quando veio a descoberta do pré-sal. Apesar do extraordinário desafio do pré-sal, a bioernergia é importante demais para ficar em segundo plano.

O papel de cuidar da área ficou em uma nova subsidiária, a Petrobras Bioenergia, criada com a estrutura interna da empresa que já trata da questão. Já nasce grande, explica seu presidente Alan Kardec.

A nova empresa será a junção das áreas internas da Petrobras que já trabalhavam com o produto.

O Abastecimento que cuidava do etanol. Há uma meta de produção de 4,75 bilhões de litros/ano até 2012, que deverá ser mantida no novo planejamento estratégico da companhia.

A idéia será utilizar o diferencial da Petrobrás para parcerias que possam deslanchar os negócios sem comprometer muitos recursos internos. No caso da exportação, foi desenvolvido um Complexo Bioenergético, parceria com a empresa japonesa Mitsui (20%), Petrobrás (20%) e um produtor nacional tradicional (Cerrado Açúcar e Álcool). O investimento total será de US$ 227 milhões.

Para cada projeto será seguido esse modelo tripartite: um parceiro internacional que traga não apenas recursos, mas mercado; um parceiro nacional que produza álcool; e a Petrobras com a logística, os contatos internacionais e imagem internacional forte. O primeiro acordo de acionistas permitirá a exportação de 200 milhões de litros/ano para o mercado japonês.

Para atingir a meta de 4,75 bilhões de litros/ano, serão necessários 20 complexos similares.

Uma segunda área da Petrobras que tratava do tema era a de Gás e Energia que cuidava das unidades de biodiesel - que passarão também para a Petrobrás Bioenergia. A primeira unidade foi inaugurada em Candeias; a segunda em Quixadá, a terceira em Montes Claros. Também nessa área estão sendo costurados acordos internacionais.

Para o biodiesel, a estratégia para 2008-2012 será a de produzir 938 milhões de litros/ano e liderar o mercado produtor.

A ênfase continuará sendo a produção familiar, através do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Para obter o selo combustível social (e poder participar dos leilões da Agência Nacional de Petróleo), tem que comprar um determinado percentual de agricultura familiar. Para o nordeste, a exigência é de compra mínima de 50% da matéria prima. A usina de Candeias foi inaugurada com 58%, basicamente com fornecimento de dendê, amendoim, soja e girassol.

Outro caminho promissor, segundo Alan Kardec, será o reaproveitamento de óleo de fritura de alimentos. Já existem ONGs organizadas com esse propósito.

Uma terceira área é a de pesquisas, que continuará no Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás), que receberá mais recursos. O investimento em tecnologia será essencial. O Cenpes está investindo pesado em etanol celulósico. A tecnologia já existe mas ainda não é economicamente viável.

Em uma mesma área de cana destinada ao etanol, usando bagaço e palha se amplia a produção em 60%.

Luís Nassif é articulista da Folha da Região, jornalista, diretor superintendente da agência Dinheiro Vivo e comentarista do Jornal da TV Cultura.