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Negócio

Petróleo engata nova queda e é vendido pelo menor valor em três meses


UOL - 16 jun 2026 - 10:09

O preço do barril de petróleo mantém a trajetória de queda dos últimos dias e aparece negociado no menor valor intradiário desde o dia 10 de março. A oscilação ocorre na esteira dos desdobramentos do acordo anunciado por Estados Unidos e Irã para o fim da guerra no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Hormuz, rota de escoamento para 20% da produção mundial de petróleo.

O que aconteceu?

Petróleo cai ao menor nível em três meses após acordo por fim da guerra. O Brent, referência internacional para o combustível, recuava 2,34% e era negociado a US$ 81,21 por barril por volta das 7h18 para os contratos para agosto, menor valor intradia desde 10 de março (US$ 81,16). Desde a última quarta-feira (10), último pregão de alta do petróleo, a queda soma 12,8%.

Cotação ainda acumula alta de 14,7% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Desde então, a cotação do petróleo saltou de US$ 72,48 para US$ 83,17 (valor de fechamento de ontem) . Na máxima desde o começo do conflito, a cotação do Brent encostou em US$ 120.

Altas foram motivadas pelas restrições impostas ao Estreito de Hormuz. Desde o início dos ataques coordenados por Estados Unidos e Israel, o Irã mantém bloqueada a rota de circulação de 20% do petróleo mundial. A limitação restringe a oferta do combustível e, consequentemente, aumenta os preços.

Acordo e paz

EUA e Irã anunciam acordo para fim da guerra no Oriente Médio. A conclusão das tratativas foi apresentada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em publicação na rede social Truth Social. O republicano afirmou que as tratativas vão autorizar a abertura integral de Hormuz sem pagamento de pedágio, além da remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irã.

"Com a abertura do Estreito após a assinatura do acordo na sexta-feira [dia 19], para fins de remoção de minas, o petróleo voltará a fluir em ambas as extremidades para a região e para o mundo", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em postagem em seu perfil na Truth Social.

Por que Hormuz é tão estratégico?

Estreito de Hormuz é um gargalo que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao oceano Índico. Antes do início da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava por ali, o que torna qualquer ameaça à navegação um problema com efeito imediato no mundo.

Importância do estreito vai além do petróleo. A avaliação é que uma interrupção ampla na passagem tem potencial de pressionar preços e afetar cadeias de abastecimento, justamente por concentrar parte relevante do fluxo marítimo de combustíveis e fertilizantes.

Hormuz se enquadra como estreito utilizado para navegação internacional. A passagem tem regras específicas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tratado, conhecido como Convenção de Montego Bay, prevê o regime de passagem em trânsito, que garante travessia contínua e rápida a navios e aeronaves, civis e militares, sem autorização prévia.

Pelo texto da convenção, países costeiros não podem impedir nem suspender a passagem em trânsito. O artigo 44 determina que não haja suspensão e que os Estados deem publicidade a perigos à navegação, enquanto o artigo 39 impõe aos navios o dever de não praticar atividades sem relação com o trânsito, como ameaça ou uso da força.

Mesmo sem ter ratificado a convenção, o Irã é apontado como obrigado a respeitar regras que viraram costume internacional. A avaliação é que disposições sobre estreitos são tratadas como direito internacional consuetudinário, reforçado por decisões anteriores da Corte Internacional de Justiça sobre passagem em estreitos internacionais.