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Negócio

StoneX: Crise na Rússia pode pressionar Brasil, mas sem risco de desabastecimento


Valor Econômico - 21 jul 2026 - 08:50

A crise de abastecimento de derivados de petróleo na Rússia pode ter efeitos sobre os preços do diesel no país, na avaliação da consultoria StoneX. A Rússia suspendeu a exportação de combustíveis em 8 de julho, para priorizar o consumo interno, após sofrer ataques da Ucrânia com drones que danificaram refinarias e infraestruturas de petróleo. A StoneX, porém, não vê riscos de desabastecimento de combustíveis no Brasil. Mas a volatilidade do petróleo reforça as incertezas.

Nesta segunda-feira (20), o petróleo fechou a US$ 89,22, aumento de 1,27%, com notícias de ataques no Oriente Médio. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Brent avançou 23,1%.

A Rússia tem sido um importante fornecedor de diesel ao Brasil, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil importou 4,5 milhões de metros cúbicos (m³) de diesel russo, 6,25% a menos que igual período de 2025, quando foram comprados 4,8 milhões m3 do país europeu.

Apesar do menor volume, o Brasil pagou 32% a mais aos russos em 2026. Isso se deve às maiores cotações da margem de refino do diesel, o “crack spread”. De janeiro a junho de 2025, o Brasil pagou US$ 2,5 bilhões em diesel russo, enquanto em 2026 o valor foi de US$ 3,3 bilhões. Em todo 2025, o Brasil comprou 8,1 milhões de m³ de diesel russo, a US$ 4,3 bilhões.

Com a crise russa, o “crack spread” se descolou do petróleo cru. A StoneX estima margem de US$ 82,6/barril para o diesel e de US$ 54,5/barril para a gasolina.

Letícia Corrêa, analista da StoneX, avalia que a solução para o Brasil será diversificar fornecedores. Estados Unidos, Índia e alguns países da Ásia já aparecem como substitutos do diesel russo. Porém, disse, mesmo que se compre de outros países, as margens de refino devem se manter altas. A analista destacou que os dados da Secex apontam queda nas importações de junho, como efeito dos ataques ucranianos nas instalações. Essa lacuna, disse, não pôde ser suprida a tempo por outros vendedores.

Em junho, as importações de diesel da Rússia caíram 65% ante maio, para 361 mil m3. As importações totais de diesel recuaram 59% frente a maio, para 586 mil m3, menor patamar do semestre.

“Desde o início do conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos atenderam grande parte da demanda mundial com estoques e aumentos de produção. Mas não se sabe o limite que isso pode chegar”, disse Corrêa.

A Petrobras, maior importadora de combustíveis do país, não compra diesel russo, mas reconhece que o país é importante fonte de suprimento para o Brasil. Para a petroleira, a redução da oferta russa tende a aumentar a competição por volumes disponíveis no mercado internacional e elevar custos de importação de outros países. Segundo a StoneX, o diesel da Petrobras está R$ 2,14 por litro abaixo do importado, ou 65,8%. A gasolina da companhia está defasada em R$ 1,02, ou 40%.

O Oriente Médio não é uma opção de fornecimento, uma vez que vinha perdendo espaço no cenário global mesmo antes do fechamento do Estreito de Ormuz, disse a analista da StoneX. Para que a região recupere a posição de supridor relevante seria necessária uma trégua consolidada entre Estados Unidos e Irã, e a reabertura efetiva de Ormuz.

Fábio Couto e Kariny Leal – Valor Econômico