Negócio

Petrobras faz leilões de diesel e gasolina para se livrar de estoques elevados


Valor Econômico - 24 abr 2020 - 10:55

Com queda da demanda por combustíveis, diante da crise econômica desencadeada pela pandemia do novo coronavírus, a Petrobras vem tentando se livrar de parte de seus estoques elevados, nos últimos dias, por meio de leilões de diesel e gasolina no mercado. As cargas têm sido negociadas, segundo três fontes, com descontos agressivos nos preços.

Esse tipo de licitação não chega a ser uma novidade. A companhia recorre aos leilões quando tem excessos pontuais de produtos em suas refinarias ou quando quer fazer frente à concorrência com importadores num determinado mercado. A diferença, dessa vez, está no tamanho dos descontos e na frequência maior das ofertas.

As licitações são voltadas para distribuidoras que possuem contratos com compromissos de volumes mínimos com a empresa. Em geral, uma distribuidora costuma contratar uma parte da sua demanda com a Petrobras e deixar uma “folga”, um volume não contratado, para negociar uma com importadores com condições de preços melhores. O que a petroleira estatal tem feito são leilões com descontos elevados, para atrair o interesse das distribuidoras de comprar com ela os volumes adicionais, não previstos nos contratos.

Segundo uma fonte do mercado de distribuição, a intenção da Petrobras é transferir parte de seus estoques para as tancagens das distribuidoras. Mesmo com a queda da demanda por combustíveis, no país, a fonte relata que há algum espaço nas bases das grandes distribuidoras, que eventualmente podem ter interesse em fazer estoque com os preços baixos.

O problema é que as companhias do setor estão com o fluxo de caixa comprometido para fazer as antecipações de compra, diante de incertezas sobre o timing da recuperação econômica no país. E as distribuidoras menores têm pouca capacidade disponível em seus tanques.

Segundo uma das fontes, a Petrobras já realizou um leilão na semana passada, no Paraná, e um ontem em São Paulo. Além disso, há previsão de licitações do tipo também em Suape (PE) e Itaqui (MA).

Procurada pelo Valor, a Petrobras não se manifestou sobre o assunto de imediato.

André Ramalho e Rodrigo Polito – Valor Econômico