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Negócio

Países do Oriente Médio reduzem produção por fechamento do Estreito de Ormuz, diz agência


CBN - 10 mar 2026 - 10:29

Os países do Oriente Médio diminuíram bastante a produção de petróleo nos últimos dias após o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem importante do gás e petróleo mundial, e da intensificação da guerra na região.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a Arábia Saudita reduziu a produção de petróleo entre 2 milhões e 2,5 milhões de barris por dia, e os Emirados Árabes Unidos cortaram a sua produção em 500 mil a 800 mil barris por dia.

O Kuwait também reduziu a produção em meio milhão de barris por dia, e o Iraque em cerca de 2,9 milhões, acrescenta o relatório, citando pessoas com conhecimento do assunto.

Em relação aos três primeiros países, os cortes representam entre 20% e 25% da produção de petróleo, se comparado com os valores de fevereiro. Já do Iraque, o valor é bem mais impactante, em cerca de 60%, sendo forçado aos cortes maiores.

Nessa segunda-feira (9), uma fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que a guerra estaria mais próxima do final fez os preços dos barris despencarem, com a expectativa de um possível fluxo na região.

Trump ameaça ataque 'vinte vezes mais forte'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai atacar o Irã 'vinte vezes mais forte' caso o país bloqueie o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz. A declaração foi publicada em uma rede social.

O Irã afirma que o Estreito está fechado desde a semana passada e ameaça atacar navios que passarem pela região. Os Estados Unidos negam que a rota esteja bloqueada. Ainda assim, o fluxo de embarcações diminuiu nos últimos dias.

No décimo dia do conflito no Oriente Médio, Trump deu sinais ambivalentes. Mais cedo, o republicano havia dito que os combates contra o Irã devem acabar em breve. Segundo ele, a guerra estava 'praticamente concluída'.

O país persa rebateu e disse que o fim da guerra será determinado por Teerã.

Trump não estabeleceu um prazo para cessar os ataques. Ao falar do fim do conflito, o presidente exaltou a capacidade militar americana.

A sinalização foi feita no dia em que a perspectiva de interrupção no fornecimento global de petróleo levou o preço do barril aos 120 dólares, no maior valor em quatro anos.

Antes do início do conflito, a cotação estava em torno dos 70 dólares. Depois das falas de Trump, o petróleo caiu e voltou a ficar abaixo dos cem dólares.

O presidente americano disse que poderia suspender algumas sanções envolvendo o petróleo, mas não especificou quais. Segundo a agência Reuters, as sanções contra o petróleo da Rússia podem cair como parte de um pacote para conter a disparada de preços.

Nesta segunda-feira (9) , o presidente Lula se disse preocupado. Segundo ele, o conflito ameaça a paz e a segurança internacional e tem impacto econômico, aumentando o preço dos combustíveis.

Durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula disse também que o Brasil precisa se preparar para evitar invasões ao território nacional.

O presidente exaltou a paz na América Latina, mas ressaltou a necessidade de modernização da defesa brasileira.

A preocupação de Lula vem num momento em que o Brasil atua em uma frente diplomática delicada junto aos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tentar impedir que o governo Trump classifique facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.

O temor do Itamaraty é que a medida abra brechas na legislação americana para operações militares unilaterais no Brasil, a exemplo do que ocorreu na Venezuela.