Diesel renovável

Com apoio da Vibra, BBF fará a 1ª usina de diesel verde do país


Valor Econômico - 24 nov 2021 - 09:03

Uma das maiores produtoras de óleo de palma do país, a Brasil Biofuels (BBF) fechou uma parceria com a distribuidora Vibra Energia que destravará o projeto para a primeira indústria de diesel verde (HVO) do país. Pelo acordo, a Vibra comercializará, por um valor não revelado, toda a produção da futura fábrica. O investimento da BBF na construção alcançará R$ 1,8 bilhão.

Trata-se do segundo projeto do gênero na América do Sul – o primeiro foi anunciado pelo ECB Group, dono da BSBios, no Paraguai. Diferentemente do biodiesel, o HVO não precisa de adaptação dos motores ou ser misturado ao diesel fóssil, já que suas moléculas são idênticas.

A unidade da BBF, que será erguida na Zona Franca de Manaus, terá capacidade para produzir inicialmente 500 milhões de litros de diesel verde por ano, o que representa 2% da demanda atual da Vibra para vendas em todo o país. A expectativa é que a fábrica entre em operação em 2025.

Hoje, o diesel verde não é vendido nos postos nem comercializado em grande escala para indústrias, mas há um interesse crescente pelo produto por parte de companhias que estão buscando “descarbonizar” suas cadeias, diz Marcelo Bragança, diretor executivo de Operações, Logística e Sourcing da Vibra Energia.

“A Vibra tem sido procurada por clientes, como indústrias de mineração e do agronegócio, que precisam de diesel para movimentar sua cadeia de produção e que, em sua grande maioria, têm uma agenda de descarbonização, algumas com compromissos ‘net zero’ até 2030 ou 2050”, observa.

O executivo lembra que há perspectiva de regulação do uso do HVO no Brasil. Também existe um projeto de lei que propõe a criação de um mandato para a mistura de 2% do renovável no diesel fóssil a partir de 2027, como forma de estimular seu uso, já que o HVO tem um custo em geral mais elevado.

Cenário favorável

Mas Bragança afirma que, independentemente dessa regulação, o cenário é favorável para a demanda pelo produto no país. Segundo ele, a própria Vibra já importou diesel verde para realizar testes no Brasil, e alguns de seus clientes também o fizeram.

De acordo com o CEO da BBF, Milton Steagall, seu HVO de palma deverá ter um custo “bastante competitivo” com relação ao próprio diesel fóssil. Ele diz que essa competitividade será apoiada pelo fato de a empresa já ter uma rede de originação de óleo na região amazônia e de ter incetivo tributário na zona franca.

A fábrica da BBF receberá o óleo de palma produzido nas unidades que a companhia tem na região Norte e também de dez novas áreas que a empresa está prospectando na Amazônia. Nas áreas e extrusoras próprias, a BBF já conseguiria abastecer 70% da necessidade da nova fábrica de HVO.

Steagall diz que todas as novas áreas prospectadas estão dentro do zoneamento do óleo de palma, que só permite o plantio de palmeiras em áreas destamatadas até 2007.

A BBF conta com quase 70 mil hectares plantados em Roraima e no Pará, mas já há áreas mapeadas para o cultivo em Rondônia, na região de Humaitá, no Amazonas, e na Ilha do Marajó, onde o cultivo já tem inclusive um financiador internacional garantido, conforme Steagall. O plantio deverá ser feito em módulos de 5 mil hectares cada, que deverão abastecer uma extrusora local de óleo, que depois fornecerá o produto para a nova fábrica na Zona Franca de Manaus.

Segundo o CEO da BBF, a estratégia é cultivar a palma em áreas remotas e escoar o óleo com apoio da Vibra, que tem experiência no escoamento por vias fluviais, o que também deve favorecer a redução de custos.

Camila Souza Ramos – Valor Econômico