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IATA: SAF deve representar menos de 1% do consumo este ano


BiodieselBR.com - 08 jun 2026 - 10:36

O ritmo de expansão da produção global de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) não está sendo bastante para atender às metas de descarbonização que foram assumidas pela indústria de aviação. Segundo as projeções mais recentes divulgadas pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), este ano serão fabricados cerca de 2,4 milhões de toneladas de SAF, o que corresponde a apenas 0,8% da demanda mundial.

O setor de aviação quer atingir o net zero em 2050 o que exigiria que, pelo menos, 65% da demanda total de combustíveis usados pelas companhias aéreas sejam supridos por fontes renováveis.

Os números mais recentes são considerados “desapontadores” pelo diretor-geral da IATA, Willie Walsh, que aponta para a falta de políticas governamentais e de interesse por parte das companhias petrolíferas. “O atual choque energético [provocado pela guerra entre Irã e EUA] deveria aumentar a urgência no desenvolvimento de renováveis, incluindo o SAF. Mas ainda não vimos isso se materializar nos incentivos necessários para criar um mercado viável de SAF”, disse em nota distribuída à imprensa.

A associação cobra que sejam adotadas medidas para permitir a oferta de matérias-primas sustentáveis, energia limpa, inclusão do SAF na infraestrutura de distribuição de combustíveis e políticas de incentivo aos investimentos. Ele também cobra que sejam criados um sistema do tipo book and claim – esquema que permite às empresas aéreas pagarem por um determinado volume de SAF sem ter que usá-lo diretamente.

Por esse sistema, a empresa que pagou pelo produto pode contabilizar os benefícios ambientais nas suas metas de emissões desde que o produto em si seja consumido por outros agentes. Isso permitiria, segundo Walsh, interligar mercados locais criando um mercado global para o produto.

Os executivos da IATA também se preocupam com a imposição de mandatos antes que a capacidade produtiva correspondente esteja encaminhada. “Isso pressiona os preços (...) e desvia recursos escassos da redução real das emissões de CO2”, reclamou a vice-presidente Sênior de Sustentabilidade da IATA, Marie Owens.

Segundo um levantamento da IATA, 89% dos passageiros veem a descarbonização do setor aéreo como fundamental, sendo que cerca de dois terços declaram que poderiam pagar mais para compensar as emissões de gás carbônico.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com