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[Conferência 2011] Fecombustíveis: "Não podemos pagar o pato sozinho"


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:41 - Última atualização em: 06 mar 2012 - 11:49

O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, falou sobre “O impacto do biodiesel nos postos”. Embora declare que sua organização seja “100% favorável ao biodiesel”, Soares não tem dúvidas de que há problemas que exigem correções.

“O biodiesel alterou a nossa vida”, declarou, informando que os primeiros postos a sentirem que havia qualquer coisa indo diferente foram os da Região Norte. A periodicidade das manutenções teve que aumentar. “A drenagem do tanque de diesel que se fazia de seis em seis meses, passou a ser feita mensalmente”, testemunha Soares. Ele informou que os custos subiram, pois ainda é preciso dar destinação correta para o material drenado e o custo não é pouco.

Grande dificuldade
Mas a grande dificuldade não é essa. Sem ter um teste simples e confiável capaz de medir o teor de biodiesel, os donos de postos precisam confiar em suas distribuidoras. Isso expõe os donos dos postos a multas salgadas aplicadas pela ANP sempre que um deles é pego vendendo combustíveis fora dos padrões. “A ANP não foi sensível a nossa argumentação de que as autuações sobre o teor do biodiesel deveriam ser paralisadas enquanto esse problema não fosse resolvido. Ficou uma situação incômoda porque muitos revendedores honestos passaram a ser autuados”, reclamou Soares. Para piorar, em alguns Estados brasileiros o revendedor que for autuado pode ter sua licença suspensa. “Temos uma dezena de postos funcionando graças a liminares judiciais em São Paulo”, complementou.

Mas não para por aí. Alguns clientes grandes começaram a acionar os postos quando passaram a sentir problemas em seus veículos.

Soares diz que os postos estão fazendo o possível para se adequarem à nova realidade,  substituindo peças feitas de cobre, material que se descobriu incompatível com o biodiesel, e aguardam a ANP, que está para editar uma nova especificação que deverá resolver parte dos problemas.

A Fecombustíveis se diz preocupada com a introdução do S50 e do S10. “O enxofre tem ação bactericida, então esse produto vai estar mais sujeito à formação de borras”, reclamou o presidente.

“Nós não temos por que ser contra o programa [de biodiesel]. Eu sou comerciante, se for para vender B100, eu vou vender. Mas também não podemos pagar o pato sozinho, porque a maioria dos donos de posto são pequenos empresários que não têm como arcar com o ônus”, explicou.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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