Selo Combustível Social

A organização das usinas com a agricultura familiar - Luiz Hiroshi [AgriBio]


BiodieselBR.com - 18 jul 2012 - 15:31 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O supervisor de campo do programa selo social da Biopar, Luiz Hiroshi Shimizu, representou a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) na palestra “A organização das usinas e o desenvolvimento da agricultura familiar” no Congresso Agribio.

Seu principal foco foi jogar um pouco de luz sobre os muitos desafios envolvidos no relacionamento bem-sucedido entre as usinas e os agricultores. Como exemplo ele usou o esforço que a Biopar vem desenvolvendo no Paraná ao longo dos últimos anos.

Ele começou lembrando que as metas de inclusão social estiveram entre as principais justificativas para a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. Entre outros objetivos, o programa queria criar mais renda no campo como forma de fixar as famílias. Mas tem sido difícil atingir esses objetivos apenas com a mistura de 5% de biodiesel, porque, segundo ele, isso dificulta a realização dos investimentos em alternativas à soja.

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O Brasil tem diversas vantagens e possui condições de se tornar um fornecedor de biocombustíveis para o mundo. Mas para viabilizar esse potencial há desafios importantes que precisam ser vencidos, entre eles a necessidade de reconhecer os diferentes níveis de organização da agricultura familiar no País. “A agricultura familiar do Paraná é muito diferente da que temos no Norte e Nordeste e demanda formas totalmente diferentes de trabalho”, defendeu. Ele apontou que a assistência técnica precisa ir além da simples orientação de como plantar, mas ajudar os produtores a entender as vantagens econômicas, sociais e ambientais que eles terão ao se inserirem em novas cadeias produtivas.

Matérias-primas alternativas
Ele também informou que para a indústria continuar crescendo é preciso esforço no desenvolvimento de sistemas produtivos mais bem ajustados ao fornecimento da matéria-prima. Hiroshi conta que testes feitos pela Biopar com o cultivo de canola demonstraram que a cultura não se adapta com tanta facilidade ao clima da região sul como se poderia pensar. Segundo ele, embora a literatura indique uma boa resistência da planta ao frio, em regiões do Paraná mais propensas a geada as plantações não tiveram bom resultado.

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O palestrante relatou que durante a safra de inverno 2009/2010, a empresa fomentou o plantio de 300 hectares de canola e 800 hectares de nabo forrageiro. Embora seja uma cultura promissora em termo da produção de óleo vegetal, a experiência com o nabo teve que ser descontinuada devido a toxidade da planta que exigia que o maquinário usado no processamento da produção tivesse que ser limpo antes de voltar a processar soja. Dessa forma os investimentos na safra seguinte foram todos concentrados na canola, plantada em quase 875 ha em 2010/2011. Com as perdas para a geada, a área foi então reduzida para 600 ha na safra atual. Por causa desses avanços e recuos, Hiroshi acha que, embora a indústria possa colaborar no desenvolvimento de alternativas, este seria um trabalho que o governo e as instituições dedicadas à pesquisa na área rural estariam mais bem equipados para desenvolver.

Assistência técnica
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O técnico contou que o trabalho da Biopar vem produzindo vantagens para 730 famílias que vivem da terra. Segundo ele, além da garantia de compra de sua produção e do pagamento de R$ 1,20 de bônus sobre o preço da saca da soja que produzem, esses agricultores também receberam ações de assistência técnica que incluíram a análise e correção do solo das propriedades. Além disso, os contratos assinados também previam uma ajuda financeira para que as cooperativas de produtores envolvidas pudessem investir na criação de um sistema de logística e armazenagem que futuramente vai continuar gerando benefícios.

Com a ajuda da empresa, as cooperativas ligadas ao Sistema de Cooperativas da Agricultura Familiar Integrada (Coopafi) também estão sendo estruturadas para passar a prestar assistência técnica a seus associados por contra própria. “O nosso objetivo é ensinar eles a pescar e não ficar dando o peixe”, orgulhou-se o palestrante.
 
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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