Em setembro de 2015, escrevi um texto longo que falava do problema do Selo Combustível Social e de como ele tinha se distanciado de seus ideais. Quase três anos depois, quase todos os problemas apontados continuam presentes. Não dá mais para acreditar que algum dia o Selo será um instrumento de inclusão social.
Também não dá para acreditar que o Selo vai acabar. Como ele serve como uma barreira de entrada para o biodiesel vindo de outros países, não há interesse do setor produtivo para que ele termine. As mudanças que foram feitas – e que se espera que sejam feitas – são praticamente todas para atender ao interesse das usinas. As empresas e governo estão, nesse momento, muito confortáveis com o sistema implantado.
Em setembro de 2015, escrevi um texto longo que falava do problema do Selo Combustível Social e de como ele tinha se distanciado de seus ideais. Quase três anos depois, quase todos os problemas apontados continuam presentes. Não dá mais para acreditar que algum dia o Selo será um instrumento de inclusão social.
Também não dá para acreditar que o Selo vai acabar. Como ele serve como uma barreira de entrada para o biodiesel vindo de outros países, não há interesse do setor produtivo para que ele termine. As mudanças que foram feitas – e que se espera que sejam feitas – são praticamente todas para atender ao interesse das usinas. As empresas e governo estão, nesse momento, muito confortáveis com o sistema implantado.
Apesar da satisfação da maioria dos envolvidos, o custo para ter o Selo é alto. O último artigo publicado por Daniel Goulart mostrou o quanto ele impacta no preço final do biodiesel.
Esse valor é um custo das usinas que, no final das contas, acaba sendo repassado para a população brasileira. E o grande beneficiado desse volume todo de dinheiro é o pequeno agricultor de soja do Sul, possivelmente o mais instruído, organizado e rico de todo o país.
Entendo que, na atual conjectura, não é possível mudar a forma como o rótulo se estabeleceu. A soja vai continuar sendo a grande matéria-prima do biodiesel e, principalmente, do Selo Combustível Social. Agora, é preciso adequar os objetivos do Selo a essa realidade.
Antes, o propósito era trazer inclusão social e desenvolvimento regional. A inclusão social só aparece quando os números do Selo não são arredondados, infelizmente. O desenvolvimento regional também é mínimo, já que a imensa maioria das aquisições de matéria-prima vem das regiões mais ricas do país.
Alcançar uma inclusão social de verdade é um desafio que ficou para quando for criado um novo Selo Combustível Social. Já o desenvolvimento regional é algo que pode acontecer, mas não com a ajuda a pequenos agricultores, e sim com o direcionamento dos investimentos em novas usinas.
Com a chegada do B10 será preciso uma quantidade maior de usinas para atender a demanda por biodiesel. Esses novos empreendimentos serão construídos onde for economicamente mais interessante. Dentre as vantagens, a maior delas é estar próximo da matéria-prima barata – e matéria-prima para biodiesel é soja, enquanto Selo Social é custo.
Então, para que novas usinas se estabeleçam no Norte e no Nordeste é preciso criar incentivos para o uso da soja que é produzida lá. A região conhecida como Mapitoba vem aumentando sua produção de soja e apenas uma usina de biodiesel está próxima. Um custo menor do Selo para usinas nessas regiões atuaria como um vetor de atratividade. Os outros vetores ficam a cargo dos governos estaduais.
Olhando para os números, vemos que a capacidade de produção de biodiesel das duas regiões é hoje de cerca de 600 mil m³ por ano e a demanda deve ficar próxima de 1.500 mil m³ em 2018. Para atender a essa demanda, precisam ser construídas pelo menos três usinas grandes de biodiesel. Hoje existe uma usina no Norte (Granol de Tocantins) e duas no Nordeste (Pbio e Oleoplan, ambas na Bahia).
Conseguir levar usinas para o Norte e o Nordeste do Brasil é um desafio desde o começo do programa do biodiesel. Por enquanto, os incentivos dados pelo Selo se mostraram ruins para as usinas – tanto é que Brasil Ecodiesel, Petrobras, Biotins e Agropalma fecharam suas usinas e hoje são alguns exemplos da dificuldade de produzir biodiesel nessas regiões.
Para se ter algum êxito, será preciso tomar decisões logo. A nova onda de investimentos está vindo e os locais onde as fábricas serão construídas estão sendo definidos já com os olhares voltados para o B15. Se nada for feito, depois de passada essa fase, vai ficar difícil para o biodiesel contribuir com o desenvolvimento das regiões mais pobres do Brasil.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
Também não dá para acreditar que o Selo vai acabar. Como ele serve como uma barreira de entrada para o biodiesel vindo de outros países, não há interesse do setor produtivo para que ele termine. As mudanças que foram feitas – e que se espera que sejam feitas – são praticamente todas para atender ao interesse das usinas. As empresas e governo estão, nesse momento, muito confortáveis com o sistema implantado.
Em setembro de 2015, escrevi um texto longo que falava do problema do Selo Combustível Social e de como ele tinha se distanciado de seus ideais. Quase três anos depois, quase todos os problemas apontados continuam presentes. Não dá mais para acreditar que algum dia o Selo será um instrumento de inclusão social.
Também não dá para acreditar que o Selo vai acabar. Como ele serve como uma barreira de entrada para o biodiesel vindo de outros países, não há interesse do setor produtivo para que ele termine. As mudanças que foram feitas – e que se espera que sejam feitas – são praticamente todas para atender ao interesse das usinas. As empresas e governo estão, nesse momento, muito confortáveis com o sistema implantado.
Apesar da satisfação da maioria dos envolvidos, o custo para ter o Selo é alto. O último artigo publicado por Daniel Goulart mostrou o quanto ele impacta no preço final do biodiesel.
Esse valor é um custo das usinas que, no final das contas, acaba sendo repassado para a população brasileira. E o grande beneficiado desse volume todo de dinheiro é o pequeno agricultor de soja do Sul, possivelmente o mais instruído, organizado e rico de todo o país.
Entendo que, na atual conjectura, não é possível mudar a forma como o rótulo se estabeleceu. A soja vai continuar sendo a grande matéria-prima do biodiesel e, principalmente, do Selo Combustível Social. Agora, é preciso adequar os objetivos do Selo a essa realidade.
Antes, o propósito era trazer inclusão social e desenvolvimento regional. A inclusão social só aparece quando os números do Selo não são arredondados, infelizmente. O desenvolvimento regional também é mínimo, já que a imensa maioria das aquisições de matéria-prima vem das regiões mais ricas do país.
Alcançar uma inclusão social de verdade é um desafio que ficou para quando for criado um novo Selo Combustível Social. Já o desenvolvimento regional é algo que pode acontecer, mas não com a ajuda a pequenos agricultores, e sim com o direcionamento dos investimentos em novas usinas.
Com a chegada do B10 será preciso uma quantidade maior de usinas para atender a demanda por biodiesel. Esses novos empreendimentos serão construídos onde for economicamente mais interessante. Dentre as vantagens, a maior delas é estar próximo da matéria-prima barata – e matéria-prima para biodiesel é soja, enquanto Selo Social é custo.
Então, para que novas usinas se estabeleçam no Norte e no Nordeste é preciso criar incentivos para o uso da soja que é produzida lá. A região conhecida como Mapitoba vem aumentando sua produção de soja e apenas uma usina de biodiesel está próxima. Um custo menor do Selo para usinas nessas regiões atuaria como um vetor de atratividade. Os outros vetores ficam a cargo dos governos estaduais.
Olhando para os números, vemos que a capacidade de produção de biodiesel das duas regiões é hoje de cerca de 600 mil m³ por ano e a demanda deve ficar próxima de 1.500 mil m³ em 2018. Para atender a essa demanda, precisam ser construídas pelo menos três usinas grandes de biodiesel. Hoje existe uma usina no Norte (Granol de Tocantins) e duas no Nordeste (Pbio e Oleoplan, ambas na Bahia).
Conseguir levar usinas para o Norte e o Nordeste do Brasil é um desafio desde o começo do programa do biodiesel. Por enquanto, os incentivos dados pelo Selo se mostraram ruins para as usinas – tanto é que Brasil Ecodiesel, Petrobras, Biotins e Agropalma fecharam suas usinas e hoje são alguns exemplos da dificuldade de produzir biodiesel nessas regiões.
Para se ter algum êxito, será preciso tomar decisões logo. A nova onda de investimentos está vindo e os locais onde as fábricas serão construídas estão sendo definidos já com os olhares voltados para o B15. Se nada for feito, depois de passada essa fase, vai ficar difícil para o biodiesel contribuir com o desenvolvimento das regiões mais pobres do Brasil.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com