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[Análise] Alimento: participação dos biocombustíveis


BiodieselBR.com - 09 jun 2008 - 14:16 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:06

"Dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão". Foi o que disse o presidente Lula na conferência da FAO na Itália ao falar sobre o aumento do preço dos alimentos. A fala foi reforçada com a divulgação de um estudo da Goldman Sachs sobre a utilização dos principais grãos e cana-de-açúcar para a produção de biocombustiveis. Veja os percentuais de cada produto com suas respectivas utilizações:

 

Trigo

Milho

Soja

Canola

Cana-de-Acúcar

Consumo Humano

81%

26%

31%

33%

85%

Ração Animal

17%

67%

68%

57%

0,40%

Biocombustíveis

1%

7%

1%

10%

14%


Esses números mostram que a utilização de produtos agrícolas para a produção de biocombustíveis no mundo é muito pequeno e não podem influenciar sozinhos o preço dos alimentos. Esse número também reforça a idéia de que o biodiesel braileiro, feito em grande parte de soja, tem uma participação pequena no consumo mundial de soja, e consequentemente na formação do preço da soja.

Por outro ângulo, o professor de ciência política do Wellesley College de Massaschusetts, publicou um artigo mostrando que a alta do preços do alimentos não afeta tanto os países pobres como dizem. Na África subsariana apenas 16% dos alimentos são importados e no sul da Ásia 4%. Isto quer dizer que a comida básica dos países pobres não recebem tanta influência externa no preço dos alimentos que suas populações consomem.

O preço alto dos alimentos está dando vantagens para alguns setores importantes e consequentemente estes não tem interesse na baixa dos preços. É o lado cruel do sistema capitalista que busca lucros sempre, não importando quem pagará a conta.

A fome no mundo está mais relacionada a falta de renda do que de alimentos. O caso brasileiro serve muito bem para ilustrar. Enquanto exportamos mais de 50 milhões de toneladas, somente de grão e derivados, temos milhões de brasileiros passando fome. Sem contar outros milhões de toneladas exportadas de carne bovina, suína e de frango. Obviamente o aumento na fome do mundo no último ano tem relação direta com o preço dos alimentos. Pois o baixo poder aquisitivo fica menor ainda com essa subida de preço. Mas como está evidente, a maior parcela de culpa no aumento dos alimentos é do petróleo - não dos biocombustíveis.

A análise desta semana continua na página:

[Análise] Vale no biodiesel: receio e motivação

Tags: Alimento