Óleo de soja
A utilização do óleo de soja para a produção de biodiesel impulsionou os preços do óleo na bolsa de Chicago. Do ano de 1998 até 2006 o preço médio do óleo bruto e refinado posto Paranaguá com prêmio foi de U$ 454,54 ante o preço atual de cerca de U$ 710,00. O preço atual do óleo está 56% acima da média dos últimos nove anos. Em outubro de 2006 o óleo de soja na bolsa de Chicago saiu de uma cotação de cerca de 22 centavos de dólar por libra peso para cerca de trinta e dois centavos hoje. Esta cotação alta está se mantendo até hoje e não pode mais ser tratada como passageira, afinal já se passaram sete meses. Este preço atual pode ser tratado como o novo patamar para o óleo de soja, que terá sua cotação atrelada e dependente do preço dos combustíveis. O mesmo está acontecendo com o óleo de palma, que alcançou o maior preço dos últimos 10 anos, chegando a U$ 650,00 por tonelada e sem previsão de baixa.
Esta nova utilidade para o óleo de soja exigiu um aumento da produção de óleo, ocasionando com isto uma sobra de farelo. O preço médio do farelo por tonelada na bolsa de Chicago dos últimos nove anos, de 1998 a 2006, é de U$ 178,09, com prêmios posto Paranaguá, contra um preço atual de U$ 200,00, isto mostra uma estabilidade de preço do farelo, ao contrário do óleo. A tendência para o futuro do preço do farelo de soja é de cair mais, ficando abaixo da média, com o aumento da produção de outras oleaginosas (girassol, linhaça, canola, nabo forrageiro, crambe) para biodiesel e a conseqüente oferta destes farelos para alimentação animal concorrendo com o de soja. Do ano de 1998 até 2006 a diferença média entre o preço da soja é do farelo foi de 20% posto Paranaguá. Hoje esta diferença está em 35%. A soja está cotada hoje U$ 270,00 e o farelo a U$ 200,00.
O que está acontecendo com o preço do farelo de soja, que é um alimento básico na produção de carnes, joga por terra a teoria de que a produção de biodiesel aumentará a fome mundial elevando os preços dos alimentos.
Glicerina
Nesta semana pesquisadores americanos da Universidade do Estado de Iowa e o Agricultural Research Services (ARS) do Departamento de Agricultura dos EUA anunciaram os primeiros resultados de uma pesquisa em andamento visando novas aplicações da glicerina, um subproduto do biodiesel, que mostrou bons resultados na alimentação suína. Em um estudo de crescimento, 5 e 10% de glicerina foi dado para porcos, do desmame até o peso de mercado. Os resultados mostraram um crescimento igual entre a dieta com o suplemento de glicerina e uma dieta mais convencional de milho e soja. A descoberta de utilidades mais nobres para a glicerina é um anseio dos produtores de biodiesel que atualmente estão com um passivo ambiental na mão, com baixo preço de mercado e sem soluções em vista, na medida em que poucos produtores conseguem realizar lucros com este sub-produto.
Sendo confirmada a aplicação da glicerina na ração animal, será bem mais interessante financeiramente esta finalidade do que a atual (queimar na caldeira para gerar calor), visto que nossos rebanhos são grandes e poderão absorver boa parte deste produto.
Outras universidades e centros de pesquisa em todo mundo já há algum tempo direcionam suas pesquisas buscando novos usos para a glicerina, a exemplo da Universidade Federal do Paraná UFPR, que já encaminhou um pedido de patente de um material sólido feito a base de glicerina, fibras vegetais e amido, resultado de pesquisas realizadas na universidade.
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