Pequenas usinas de biodiesel
A decisão do grupo espanhol Promobarna de construir 30 pequenas usinas no norte de Minas Gerais, a primeira até o final de 2008 no município de Arinos e as restantes em seis anos, mostra a visão de futuro que a empresa tem sobre o setor de biodiesel no mundo e particularmente no Brasil.
O grande gargalo para a maior parte das usinas de biodiesel construídas é a falta de matéria-prima com bons preços. Já a visão do grupo espanhol é de longo prazo. Pretende construir as 30 usinas ao longo de seis anos por que sabe que conseguir matéria-prima, mesmo para usinas menores, não é uma tarefa que se faz da noite para o dia. Envolve muito trabalho no campo junto aos pequenos produtores, muita ação para alcançar os objetivos, palestras, dias de campo, equipe de assistência técnica, parcerias com prefeituras, enfim, todo o trabalho de execução de um projeto com começo, meio e fim.
A construção de uma usina pode ser feita em seis meses, mas garantir a matéria-prima para essa usina trabalhar o ano inteiro pode levar muito mais tempo.
Outra característica de uma usina pequena e regional que deve ser levada em conta é que boa parte de sua produção, se não a totalidade, poderá ser consumido na própria região. Isso garante três reduções de custos: no transporte da matéria-prima, que está perto da usina, na distribuição do biodiesel e no consumo dos subprodutos da extração - a torta ou farelo na alimentação animal ou como adubo para a região produtora. Quanto mais perto a produção do consumo, menos fretes. E o diferencial de custo com fretes poderá ser a diferença competitiva de uma pequena usina.
Jatrophacultores
O Ministério da Agricultura sinalizou para uma solução, mas não definiu ainda a regularização do plantio do pinhão-manso. Técnicos do ministério, Embrapa e representantes dos produtores encontraram uma saída: registrar a planta como espécie e não como cultivar. A decisão está agora em análise na área jurídica do Ministério da Agricultura, que deve se pronunciar nos próximos dias.
O que é importante neste momento é que se tire da ilegalidade milhares de produtores e empresas que por conta e risco estão investindo no plantio do pinhão-manso. A decisão de regularizar o pinhão-manso tira também o Brasil da contramão que se encontra perante dezenas de outros países que estão investindo em seu plantio.
Registrar o pinhão-manso como espécie é um paliativo, servindo apenas para tirar os produtores da clandestinidade. Este tipo de registro não permite que o produtor obtenha financiamentos oficiais para o cultivo de pinhão-manso.
Por enquanto algumas empresas estão fazendo esta parte, mas estas empresas têm limites de crédito e fomentam o plantio somente na região que atuam. Embora essas empresas estejam fazendo o trabalho certo, incentivando o plantio e garantindo a futura compra, para o pinhão-manso alcançar mais rápido o lugar que todos almejam, a ajuda através de financiamento oficial se faz necessária e urgente. Fica aí mais um objetivo a ser buscado por todos os “jatrophacultores”.
Análise anterior
15 out
- Preço do biodiesel nos próximos leilões
- A Concorrência para os leilões de novembro e dezembro
- Registro do Crambe
Mais análises...
As mais lidas da semana
1 Pinhão-manso pode ser liberado nos próximos dias
2 Demanda por gordura bombeia os preços para cima
3 O Biodiesel em 2008
4 Grupo espanhol planeja investir na produção de biodiesel em MG
5 ANP pode punir atraso na entrega do biodiesel
6 Buriti pode ser a solução para o biodiesel
7 Gazzoni: A soja para 2008
8 Pesquisador português quer transformar glicerina em aditivos para gasolina
9 Produtores europeus de biodiesel acusam EUA de dumping
10 Editorial: Biodiesel derramado