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Observando a luta que o governo está enfrentando para conter o repique inflacionário e reverter os baixos índices de crescimento da economia, é muito difícil acreditar que ele venha a tomar qualquer uma dessas decisões. Por essa razão, tenho defendido sempre que a indústria deve procurar novos mercados, seja para a venda direta de biodiesel para o exterior, seja para a produção de derivados com maior valor agregado.
Na minha última coluna, escrevi sobre a possibilidade de a Europa se tornar um possível mercado para o biodiesel produzido no Brasil, uma vez que Argentina e Indonésia, tradicionais fornecedores, haviam sofrido retaliações comerciais do bloco europeu. Poucas semanas depois li a notícia no Portal BiodieselBR de que o primeiro carregamento nacional de biodiesel havia sido embarcado para a Europa. Acredito que este seja um importante passo para a nossa indústria, pois temos condições técnicas favoráveis para sermos competitivos e firmarmos a nossa posição como exportadores, assim como já conseguimos com outras commodities agrícolas. Esta seria uma alternativa concreta para reduzir os já tradicionais níveis altos de ociosidade da nossa indústria.
No entanto, também apareceu recentemente a notícia de que o Parlamento Europeu está prestes a limitar o uso de biocombustíveis tradicionais a 5,5%, reduzindo a mistura de biodiesel ao diesel, que atualmente é de 7%. Independentemente das razões que estejam levando a Europa a tomar esta decisão, assunto que pretendo discutir em uma próxima coluna, este fato irá limitar o mercado internacional, pois havia uma expectativa que o bloco europeu usasse no mínimo 10% de biodiesel misturado ao diesel até 2020.
Estou cada vez mais convencido de que a sustentabilidade da indústria oleoquímica deve se viabilizar, necessariamente, pela diversificação dos nichos de mercado. Ou seja, acredito que se deva procurar novos usos para os ésteres metílicos, tal como o mercado de solventes e desengraxantes que a indústria americana de biodiesel já vem ocupando, ou investir na produção de derivados que possam substituir insumos da indústria química. Principalmente o óleo ou o biodiesel de soja são facilmente alterados na sua estrutura de forma a se produzir novos compostos químicos com as mais diversas aplicações nos setores de tintas, lubrificantes, plásticos e aditivos alimentícios, entre outros. Assim, é urgente que as nossas indústrias procurem inovar, deixando de trabalhar apenas na venda de commodities de baixo valor agregado, como o óleo e o biodiesel, e procurem desenvolver processos para a produção de produtos com maior valor agregado.
* Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
