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Ubrabio e Aprobio: Associações homenageiam Lula


Edição de Ago / Set 2012 - 27 ago 2012 - 11:33 - Última atualização em: 31 out 2012 - 12:01
Ubrabio e Aprobio realizam evento de homenagem ao ex-presidente em São Paulo

Fábio Rodrigues, de São Paulo

Oficialmente, a homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizada no dia 2 de agosto passado foi apenas parte das celebrações do quinto aniversário da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e do primeiro ano de existência da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). Contudo, havia no ar uma impressão de que se tratava de um ato público de força do setor num momento em que o Palácio do Planalto está a semanas de fazer o anúncio do marco regulatório.

Falando aos jornalistas durante a coletiva que precedeu o evento principal, o presidente da Ubrabio, Odacir Klein, tentou amenizar a impressão. “Nós vamos prestar uma homenagem ao presidente Lula, mas não vamos transformá-lo em advogado no que diz respeito à continuidade do programa e ao novo marco regulatório”, afirmou. Ainda assim, a ocasião foi amplamente aproveitada pelas entidades para divulgar todos os benefícios do biodiesel e defender aumentos na mistura obrigatória.

Coletiva

Ainda durante esse momento anterior à chegada do homenageado, o presidente da Aprobio, ErasmoBattistella, assegurou que o país reúne todas as condições para se tornar o maior produtor global de biodiesel. Mesmo reconhecendo que a conjuntura não é das mais favoráveis a novos aumentos da mistura em função dos preços da soja, ele ressaltou que esse é um problema pontual causado por quebras na atual safra, e que é preciso olhar para o biodiesel no longo prazo.

Já o presidente do conselho da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, lembrou que projeções recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o Brasil deverá colher cerca de 82 milhões de toneladas de soja na próxima safra – um incremento de 18 milhões de toneladas sobre a safra 2011/2012. “Se esmagarmos apenas essa soja adicional, teremos óleo para fazer uma vez e meia o biodiesel consumido em 2011”, celebrou. Ferrés ainda aproveitou para fazer a defesa do projeto do biodiesel metropolitano, que prevê o uso de B20 nos veículos do sistema de transportes coletivos e em máquinas pesadas nas grandes cidades.

Battistella ressaltou ainda que, apesar das dificuldades, a dependência em relação à soja – considerada o calcanhar de Aquiles do programa – já está diminuindo, graças ao aumento na participação do sebo bovino e das boas perspectivas do plantio da palma de óleo.

Cerimônia

A cerimônia em si só foi acontecer depois da chegada do homenageado, com efusivos discursos feitos por Odacir Klein, Erasmo Battistella e Juan Diego Ferrés – os anfitriões do dia – ressaltando a importância do ex-presidente no estabelecimento da indústria do biodiesel no Brasil. Lula também recebeu publicamente os cumprimentos do ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e atual presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, e de representantes de entidades da agricultura familiar convidados.

O encerramento coube a Lula, que, visivelmente bem-humorado e disposto – chegou a arrancar gargalhadas da plateia –, discursou por cerca de 30 minutos. Além de agradecer aos empresários que acreditaram e investiram no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), ele reconheceu que o programa acabou saindo um pouco diferente do idealizado inicialmente. Segundo ele, as apostas frustradas na mamona e no pinhão-manso foram uma tentativa de resguardar o programa das críticas de quem acreditava que o biodiesel ameaçava a segurança alimentar.

Para Lula, o biodiesel não tem mais volta. “O programa foi feito para crescer. Mesmo depois que encontramos o pré-sal, não diminui a nossa vontade de produzir um combustível alternativo e menos poluente”, disse aos presentes. Ressaltou também que ainda pesa contra o programa um discurso que tem seu fundamento em interesses comerciais internacionais. “A lógica europeia, como eles não tem a capacidade que temos de produzir biocombustíveis, fabricam motores mais eficientes, o Euro 5 e o Euro 4. E cada vez que lançam um Euro novo, o caminhão fica mais caro. A Petrobras investiu mais de R$ 14 bilhões para fabricar o S50, que é um diesel mais limpo, mas essa é a lógica deles. E a nossa lógica? De movermos um caminhão 100% a biodiesel”, discursou, arrancando aplausos.

Embora não tenha sido cobrado abertamente, o ex-presidente disse conhecer que o sonho dos empresários reunidos é ver novos aumentos na mistura. “Eu sei que vocês sonham com 7%. E, se aumentar para 7%, vocês não vão se contentar e vão começar a pensar em 10%. Aumentando para 10%, vocês não vão se contentar e vão pensar em 15% ou 20%. Essa é a lógica do programa. O que não podem é ter preocupação e medo de reivindicar”, disse. Ele então aconselhou os produtores a buscarem uma aproximação mais direta com a presidente Dilma Rousseff. “A companheira Dilma tem as mesmas vontades que nós temos. Então tratem de conversar com a Dilma”, arrematou.