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Notas: Megausina de Araquari, mostarda para aviação, sustentabilidade


Edição de Jun / Jul 2012 - 20 jun 2012 - 17:36 - Última atualização em: 10 jul 2012 - 15:26

REAL OU IMAGINÁRIO? - A megausina de Araquari

Por que Araquari? Essa é uma das perguntas sem resposta, mas o município com 25 mil habitantes em Santa Catarina pode receber uma usina que, isoladamente, produz mais biodiesel do que todo o país junto. A capacidade da fábrica seria de 9,5 bilhões de litros anuais, superando largamente a demanda brasileira atual, de 2,6 bilhões. O desembolso financeiro está no mesmo patamar da capacidade: cerca de R$ 3,4 bilhões. As curiosidades não param aí. A matéria-prima padrão da produção seria o óleo de palma importado (70%) e o restante viria do cultivo de microalgas. A soja, única com escala para atender a produção, não está nos planos. A megausina carrega questionamentos tão extensos quanto o seu tamanho: não há indicação da origem da importação nem do cultivo da matéria-prima. No termo de compromisso firmado entre a chilena Mater LNG e a prefeitura, o telefone da empresa leva a uma clínica odontológica. Oficialmente, prefeitura e empresa tratam a ideia, que levaria cinco anos para ser implantada, como “embrionária”. Porém, isso não impediu que os próprios divulgassem o projeto.

MATÉRIA-PRIMA - Mostarda para a aviação

A busca por novas matérias-primas é uma constante no setor de biodiesel. Em escala nacional e mundial, pesquisas são realizadas diuturnamente para analisar diferentes tipos de materiais que possam servir de base para a produção do combustível. A mais nova promessa para o setor é a mostarda-da-etiópia, que apresentou resultados positivos em pesquisas coordenadas pela empresa canadense Agrisoma Biosciences. Com base nas primeiras análises, a Brassica carinata obteve 28% de proteína e teor de óleo de 44%, índices semelhantes aos encontradas em variedades tradicionais de mostarda e canola. Os testes preliminares também mostram uma planta que se adapta muito bem ao clima semiárido. A intenção da companhia é aplicar o combustível na aviação.

SUSTENTABILIDADE - Consumo cresce em São Paulo

O biodiesel brasileiro sofre com um mercado pouco abrangente, praticamente limitado aos leilões, já que diversos problemas dificultam a exportação. Portanto, iniciativas que valorizem o combustível são fundamentais para o desenvolvimento do setor, caso do Programa Ecofrota da prefeitura de São Paulo. Lançado em fevereiro do ano passado, o projeto ganhou novo adepto: a Transkuba Transportes Gerais. A ANP já autorizou a empresa a abastecer os ônibus com até 20% de biodiesel – aproximadamente 2 milhões de litros do total de 10,2 milhões de litros de diesel usados anualmente. Antes de fazer a troca, porém, a Transkuba ainda precisa receber novo ofício da ANP e autorização da SPTrans – empresa pública gerenciadora do sistema de transporte paulistano.