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Crise na Ubrabio


Edição de Jun / Jul de 2011 - 24 jun 2011 - 07:57 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 10:05

Após o 21º leilão, realizado em fevereiro, começaram a circular pelo mercado boatos de que o clima entre os associados da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) tinha se deteriorado intensamente. Os primeiros sinais do racha, que culminou em renúncias coletivas, começaram a circular próximo ao carnaval, quando uma reunião entre membros da entidade, que deveria ter resolvido as divergências, terminou com os ânimos das usinas ainda mais exaltados.

Depois, em abril, BiodieselBR recebeu informações de que uma reunião extraordinária, marcada para o dia 13 de maio, anteciparia em praticamente dois anos a eleição para substituir o atual Conselho Superior da entidade – cujo mandato não deveria ser encerrado antes de maio de 2013.

Segundo fontes procuradas por BiodieselBR, uma parte considerável dos associados estava descontente com a direção da Ubrabio. Em parte, por causa dos maus resultados comerciais que o setor vinha tendo nos leilões da ANP, mas também pela falta de uma postura mais combativa da entidade em questões consideradas estratégicas para o futuro do setor, como os debates do novo marco regulatório dos biocombustíveis e modificações no sistema de leilões.

Apesar do clima pouco propício, a Ubrabio celebrou seu quarto aniversário em Brasília, na noite do dia 3 de maio, com um evento que homenageou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Embora a homenagem ao ministro pudesse ser lida como uma tentativa da associação de conseguir mais apoio para os pleitos do setor, ao que tudo indica a festa não foi bem recebida por alguns dos associados, e a ausência de diversos membros nesta homenagem reforçou que o clima dentro da entidade estava mesmo insustentável.

Quando a reunião na sexta-feira, 13 de maio, finalmente aconteceu, a temperatura estava nas alturas. Mesmo assim, o resultado foi surpreendente. BiodieselBR apurou que no meio da reunião, para a surpresa de muitos associados, o presidente da Caramuru, Alberto Borges, informou que estava renunciando o cargo e deixando a entidade. Antes que qualquer votação fosse realizada, a ação foi seguida por outros quatro vice-presidentes, que também deixaram a Ubrabio. Os únicos membros do conselho de administração a permanecerem em seus cargos foram o presidente Juan Diego Ferrés (Granol) e o vice-presidente financeiro Irineu Boff (Oleoplan).

Não parou por aí. A renúncia dos vice-presidentes precipitou um movimento de desfiliação em massa entres os associados. Um total de 14 usinas deixou a entidade.

“Discordarmos da atual forma de gestão da entidade e, apesar de todos nossos esforços para conseguir chegar a um consenso, não tivemos outra alternativa que não fosse a situação extrema de deixar os cargos e a entidade”, explicou a BiodieselBR o diretor de operações da BSBios, Erasmo Battistella, falando em nome do grupo de ex- -vice-presidentes da Ubrabio.

Em nota oficial, a Ubrabio informou que as renúncias foram motivadas por divergências em relação ao plano de ação para o novo marco regulatório e à reforma do Estatuto Social da entidade proposto pelo presidente. Na mesma nota, a organização confirma que um novo estatuto será votado em 90 dias.

Enquanto a Ubrabio parece querer continuar tocando a vida normalmente, os dissidentes já falam em formar uma nova associação representativa para o setor de biodiesel. A informação veio do diretor comercial da Bionasa, Adilson Paschoal Montanheiro. Segundo ele, ainda não existe um direcionamento mais preciso de como o grupo vai se organizar de agora em diante.

Motanheiro nega que o maior foco de descontentamento tenha sido a gestão de Ferrés à frente da entidade. “Essa foi uma divergência de ideias e não de pessoas”, afirma, acrescentando que a maior reclamação do grupo era a demora da associação em profissionalizar seu modelo de gestão o quanto antes.

A crise na entidade acontece em um momento de decisão para o setor de biodiesel (veja mais detalhes na reportagem de capa desta edição). A visibilidade que os dois grupos de usinas darão para as discussões em torno do novo marco legal será fundamental para o desenvolvimento do mercado. E claro, para o futuro da Ubrabio e da provável nova associação.