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Entrevista: Rubens Freitas


Edição de Fev / Mar de 2011 - 25 fev 2011 - 12:16 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 10:46
Para a ANP, se qualidade do biodiesel não for preservada de ponta a ponta, não há como aumentar o percentual de mistura no diesel

Alice Duarte, de Curitiba

Vencido o primeiro desafio, que era garantir o abastecimento do biodiesel para todo o país, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) – responsável pela supervisão de todas as etapas, do licenciamento de uma usina até a chegada do produto ao consumidor final – concentra-se agora em resolver o problema de qualidade do combustível. Para evitar que a formação de depósitos nos tanques de armazenamento dos postos suje a imagem do biodiesel, o órgão regulador mobilizou três grupos de trabalho para monitorar toda a logística do biodiesel e descobrir onde ele pode estar saindo da especificação.

Outra questão que a ANP ainda tenta descobrir é como, apesar do periódico monitoramento que faz nas compras das distribuidoras, há postos vendendo diesel com teores de biodiesel diferentes do que a lei obriga. “Isso ainda merece estudos mais aprofundados”, diz o superintendente adjunto de abastecimento da ANP, Rubens Cerqueira Freitas.

Resolvidas essas questões, Freitas diz que o próximo passo do setor é baixar o preço do biodiesel e evoluir para o mercado livre. Ainda que o fim dos leilões seja inevitável, ele acredita que a transição não pode ser feita “de uma forma leviana”, colocando em risco o abastecimento e a imagem do programa.

Revista BiodieselBR Qual avaliação você faz do setor de biodiesel hoje?
Rubens Freitas
Faço uma excelente avaliação. O B5 foi antecipado em vários anos, o produto está substituindo importações de óleo diesel. E isso é importante neste momento porque a venda de diesel está crescendo tanto que estamos importando. Todo produto tem uma curva de aprendizado, e a do biodiesel nós estamos acelerando. Nós precisamos dedicar total atenção para garantir a qualidade do produto, não apenas no produtor de biodiesel, mas lá no tanque do caminhoneiro. Se isso não for preservado, não adianta falar em B7 ou B10.

Qual foi a maior dificuldade que a ANP enfrentou nesses anos de introdução e consolidação do PNPB?
Rubens Freitas
O primeiro grande desafio é viabilizar a oferta de produto via leilões. O segundo desafio é garantir a qualidade do produto. Eu acho que a ANP tem enviado esforços nessas duas áreas. Agora nós precisamos também – e aí não depende da ANP, e sim dos empreendedores – tentar trazer o preço do produto a níveis compatíveis com o preço do óleo diesel para não encarecer a mistura.