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Alexandre Pereira: Venda de biodiesel


Edição de Out / Nov de 2010 - 15 out 2010 - 10:09 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 11:32


Mas então a Petrosul deixou o negócio?
Alexandre Pereira
Saiu sim. Os proprietários da Petrosul são sócios da Bioverde; de 50% da Bioverde, junto com o Trend Bank. Mas a gestão é independente. O conselho de administração é que toma as decisões. São cinco integrantes: dois do banco, dois da gestão anterior e um independente. E tem o presidente executivo e três diretorias. A Petrosul não consegue comprar biodiesel da Bioverde. Quando foi criada a Bioverde, era para atender a Petrosul e também as outras distribuidoras. Mas quando fechou o mercado, a Petrosul jamais conseguiu fazer compra de biodiesel da Bioverde. Eu não posso falar sobre a distribuidora, sobre o trabalho deles. Mas o nosso combustível é de qualidade. A qualidade do produto foi atestada pelas principais distribuidoras e pela Petrobras. Isso foi demonstrado nos releilões. O biodiesel da Bioverde atinge os maiores preços de venda para as distribuidoras, não só pela logística, mas pela qualidade que o produto alcança. No último leilão, para se ter uma idéia, a Bioverde vendeu a R$ 2,23 e a Petrobras conseguiu repassar a R$ 2,44 o preço médio. Outras usinas próximas aqui conseguiram R$ 2,38 no releilão.

As distribuidoras de combustível atribuem ao biodiesel a existência de problemas de formação de borra nos tanques. Esse é um problema do biodiesel brasileiro?
Alexandre Pereira
Eu garanto que no nosso produto não existe esse problema de qualidade. Ele é um produto que é comprovadamente da mais alta qualidade, top de mercado. A formação de borras está sendo estudada. Não é só produtor de biodiesel que tem culpa nesse caso. Tem toda a questão de transporte. Ocorre a mistura, depois vai para o caminhão, que transporta para os postos. Está sendo avaliada toda a cadeia para que, se existirem problemas, sejam minimizados. Não acho que seja um problema do biodiesel. O diesel tem um histórico de problemas de qualidade. Não é depois do biodiesel que começou a causar problemas. Acontece já há bastante tempo. Não se pode jogar a culpa num agente que entrou agora.

Para vocês, os preços negociados nos leilões da ANP têm sido satisfatórios?
Alexandre Pereira
Olha, eu como produtor que tem um produto diferenciado no mercado, que zela por tudo que faz para que ele chegue com melhor qualidade no consumidor final, tenho um custo diferente também. Temos uma condição logística especial também. Não julgo que é justo vender o meu produto pelo mesmo preço que os outros vendem. Nós realmente achamos que nosso produto vale mais. As distribuidoras têm mostrado que ele vale mais. Essa margem acaba não vindo para a Bioverde. Nossa insatisfação é com isso daí. Se o distribuidor puder escolher, tenho certeza que o meu biodiesel não vai ficar no tanque. Toda nossa produção vai ser vendida. Fazemos força para que isso ocorra. Entendo o papel da ANP, da Petrobras. Mas o mercado é soberano. O mercado de etanol é livre. Tem o preço mais barato, mas mesmo assim ocorrem problemas que são divulgados aí. Tem os problemas de maior mistura. O papel de fiscalização é do governo.

E a venda direta de biodiesel para frotas cativas? Como a Bioverde tem atuado nesse mercado?
Alexandre Pereira
A Bioverde vende para a Vale do Rio Doce, para fazer a mistura do B25. O B30 já está em teste em algumas locomotivas. O contrato é de um ano, com renovação para mais um ano. São 800 mil litros por mês. A Vale vai passar a fazer a mistura em todas as locomotivas quando tiver os testes aprovados pela General Electric (GE). Hoje o biodiesel deles é exclusivamente Bioverde. Entregamos para a Vale no Espírito Santo e ela faz a mistura com o acompanhamento técnico da GE. A GE também faz a revisão de todos os motores. O produtor de biodiesel tem que criar demanda. Hoje, infelizmente, ainda anda devagar [o uso cativo]. Mas a Vale, quando colocar B30 na frota inteira, vai ter um consumo gigante. Será algo perto de B10.