019

Biodiesel estimula: Dendê


Edição de Out / Nov de 2010 - 15 out 2010 - 15:25 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 11:34
Dendê

Além de ser a fonte do óleo mais comercializado do mundo, o dendê é a única oleaginosa que atualmente atende a meta de produtividade do Plano Nacional de Agroenergia, fixada em cinco toneladas de óleo por hectare na fase final. Apesar disso, os 76 mil hectares plantados não conseguem suprir a demanda interna, e o Brasil importa mais da metade do óleo de palma que consome.

Para tentar reverter esse quadro, o governo federal lançou, no início do mês de maio, o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo, que promete expandir o cultivo sem comprometer a floresta amazônica. “Já temos 200 profissionais qualificados para difundir a tecnologia de produção em campo”, explica Tiago Giuliani, do Mapa.

De acordo com o programa, o país dispõe de 31,8 milhões de hectares para o plantio do dendê, área calculada a partir do cruzamento dos resultados do zoneamento agroecológico com os mapas de restrição, descartando áreas de proteção ambiental e de comunidades indígenas, entre outras. O programa também promete privilegiar a agricultura familiar, fornecendo sementes, assistência técnica e financiamento de longo prazo. Para isso, prevê a criação de um novo centro de pesquisa, específico para o dendê, na região Norte. A expectativa é que a área plantada dobre em três anos.

“O programa é muito bem feito, esperamos que a execução também seja. A palma é mais uma matéria-prima para uma produção de biodiesel, que até agora vem se baseando na soja e no sebo animal. Não sabemos se vai dar certo. Depende do preço, da época e de outras variáveis”, analisa Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma e vice-presidente da Mesa-Redonda Internacional da Palma Sustentável.

Até o momento, este foi o melhor programa estruturado pelo governo para fugir da dependência da soja. Mas com a imensidão territorial brasileira, mesmo alcançando êxito essa iniciativa não conseguirá aplacar a sede por biodiesel do resto do Brasil.

A diversidade nacional amplia largamente o leque de opções energéticas, mas claramente são muitos os desafios a serem superados. Sem um programa de desenvolvimento para algumas culturas, daqui a cinco anos continuaremos lamentando a dependência da soja.